Jarbas Oliveira/EFE
Jarbas Oliveira/EFE

Imagens mostram operários martelando colunas pouco antes de prédio desabar em Fortaleza

Cinco pessoas aparecem na gravação, entra elas o engenheiro José Andreson Gonzaga dos Santos e a síndica Maria das Graças Rodrigues, de 53 anos, uma das desaparecidas

Heloísa Vasconcelos, Especial para O Estado

18 de outubro de 2019 | 19h48

FORTALEZA - Vídeo do circuito de câmeras de segurança do Edifício Andréa, em Fortaleza, mostra operários usando marretas para quebrar colunas próximas à entrada do prédio às 10h08min, cerca de 20 minutos antes do desabamento. Cinco pessoas aparecem na gravação, entra elas o engenheiro José Andreson Gonzaga dos Santos e a síndica Maria das Graças Rodrigues, de 53 anos, uma das desaparecidas. Santos e outros operários escaparam com vida. 

As imagens mostram pedaços de concreto se soltando dois minutos antes da tragédia, que aconteceu na manhã terça-feira, 15, e deixou, até o momento, sete mortos e dois desaparecidos. O prédio de sete andares, localizado no Dionísio Torres, bairro nobre da capital cearense, ruiu exatamente às 10h29min e cinco segundos. 

Um dia antes de desabar, o Edifício Andréa entrou em reforma, conforme Anotação de Responsabilidade Técnica emitida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (CREA-CE). Orçada em R$ 22 mil, a obra previa recuperação de pilares e vigas e pintura do prédio. 

A reforma era realizada pela Alpha Engenharia, empresa ligada a Santos. Em depoimento à Polícia Civil, divulgado pelo Sistema Verdes Mares, o proprietário afirmou que obras começaram apenas no dia 15, data do acidente. Questionada pelo Estado, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS) do Ceará afirmou que não divulgaria informações sobre a investigação.

Moradores relatam que prédio apresentava situação precária há anos. Em entrevista ao Estado, o motorista de aplicativo Leandro Carvalho, filho de Cleide Maria da Cruz, uma das vítimas da tragédia, relatou que frequentava o prédio e percebia as falhas estruturais há pelo menos 14 anos. Janelas tortas e portas que deixavam de fechar devido ao desnível no chão eram alguns indícios do colapso da estrutura, segundo ele.

O Estado tentou contato com a Alpha Engenharia, mas as ligações não foram atendidas. O CREA-CE informou ter feito uma notificação extra-judicial para que a empresa participasse de uma comissão técnica para apurar o acontecido, mas que também não obteve retorno.

Veja quem são os mortos no desabamento do Edifício Andréa, em Fortaleza

  • Frederick Santana dos Santos, de 30 anos
  • Izaura Marques Menezes, de 82 anos
  • Antônio Gildasio Holanda, de 60 anos
  • Nayara Pinho Silveira, de 31 anos
  • Maria da Penha Bezerril Cavalcante, de 81 anos
  • Rosane Marques de Menezes, de 56 anos
  • Vicente Menezes, de 86 anos

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