Vídeo não é de L., garante deputado que viu foto da menina

Mulher não teria mesmos traços que a jovem; polícia irá apurar a gravação e localizar os participantes da cena

Carlos Mendes, especial para O Estado de S. Paulo,

30 Novembro 2007 | 16h16

As imagens do estupro de uma menor dentro da delegacia de Abaetetuba, onde a menina L., de 15 anos, dividiu a mesma cela com vinte homens durante 24 dias, podem ter sido feitas em outro lugar, porque a mulher que aparece no vídeo, gravado com um telefone celular, não tem qualquer semelhança física com a garota cujo episódio chocou o país. A afirmação é do deputado federal paraense Zenaldo Coutinho, integrante da Comissão Externa do Congresso Nacional que esteve em Belém para apurar o caso e tomar providências no âmbito federal.  Advogados pedem ação imediata contra abusos Menor deficiente foi violentado em prisão do PA, denuncia OABMiséria e prostituição na trilha de L.  "Vi essas imagens e não reconheci a menor L., depois de comparar com fotografias da menina que obtive", contou Coutinho ao Estado. Ele também garantiu que o ambiente aonde as cenas foram filmadas não guardam semelhança com o banheiro da delegacia, como foi informado à Comissão. Nenhum outro integrante do órgão parlamentar teve acesso às fotos de L., para estabelecer a comparação com o vídeo gravado, como ocorreu com Coutinho, porque todos, com exceção dele, já retornaram a Brasília. Os traços fisionômicos de L., na avaliação de Coutinho, são diferentes da mulher que aparece no vídeo. A menina de 15 anos tem traços mais fortes, morenos, possui nariz achatado e cabelo escuro. A da filmagem "parece mais velha, tem cabelo mais claro e liso", observa. Um detalhe chama a atenção nesse vídeo: os homens que aparecem não se preocupam em esconder o rosto e os atos sexuais são explícitos. A primeira impressão que o deputado teve, na quinta-feira, após o vídeo chegar às mãos dos integrantes da Comissão - a gravação foi apreendida em Abaetetuba, onde estava sendo vendida a R$ 100 - foi a de que o objetivo seria "desqualificar moralmente" a garota, dando a entender que ela teria consentido em fazer sexo com vários homens. "Isto fica ainda mais evidente agora, quando percebi que não era ela", comentou o deputado. A perícia, segundo ele, descartará a presença de L. no vídeo, mas a polícia tem por obrigação localizar os participantes da cena, descobrir o real propósito da filmagem e abrir inquérito. Promotor O promotor de justiça Milton Menezes, integrante do Grupo de Prevenção e Repressão às Organizações Criminosas (Geproc), descartou também a presença da menor L. no vídeo.  Segundo Menezes, as características físicas da mulher que aparece no vídeo levam a crer ser ela maior de idade. Ele enfatizou que a relação sexual filmada seria consensual. Ou seja, não haveria estupro. O local onde o vídeo foi feito, para Menezes, não é a carceragem da delegacia de Abaetetuba. A dúvida foi desfeita pelo banheiro que aparece no vídeo, diferente do utilizado pelos presos na delegacia. O trabalho da polícia, agora, será descobrir onde a gravação foi feita. "Eu não descarto que o vídeo possa ter sido gravado no banheiro administrativo da delegacia", disse Menezes. O celular com as imagens foi apreendido pela deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA). "Estou indignada com esses fatos. Quero que os responsáveis por todas essas violências sejam punidos", afirmou. O Ministério Público e a polícia ainda não receberam a gravação de um vídeo onde um menor, com problemas mentais, teria sido violentado dentro da cadeia de São Miguel do Guamá, no nordeste do Pará. A presa que denunciou o caso em depoimento na sede da Ordem dos Advogados do Brasil, será ouvida em novo depoimento. "Vou pedir garantias de vida para ela poder falar sem pressões de ninguém e fora do Centro de Recuperação Feminino (CRC), onde ela se encontra", antecipou ao Estado a conselheira da OAB, Valena Jacob.

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