Videogames, quem diria, já são objeto de coleção

Região da Santa Ifigênia é a fonte de aficionados por jogos das décadas de 70,80 e 90

Rodrigo Burgarelli,

16 de julho de 2010 | 06h59

Lorian Munhoz Júnior, de 36 anos, usa dois quartos para guardar os 3.118 jogos. Ayrton Vignola/AE

 

Quem visita as lojas da Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, percebe um ou outro intruso na multidão. Esses, ao contrário da maioria, não estão em busca de produtos tecnológicos modernos, mas de fitas, acessórios e videogames das décadas de 1970 e 80. Ultimamente, um aparelho bastante popular há pouco tempo também começou a ganhar status de raridade na região: o Super Nintendo.

 

Lançado no Brasil em 1993, o Super Nintendo está virando fetiche para colecionadores experientes e até para uma geração que cresceu entre jogos como Mário, Donkey Kong Country e Street Fighter, só para ficar nos mais famosos. E, claro, a Santa Ifigênia se tornou a fonte dos fanáticos por antiguidades, principalmente os que estão começando uma coleção.

 

Rafael Brites Barbosa, de 21 anos, é um deles. Ele cresceu em uma casa onde videogames fazem parte da rotina - sua mãe já jogava Atari antes de engravidar dele - e ganhou seu primeiro Super Nintendo aos 7 anos. Mas foi só em 2007, quando começou a trabalhar, que teve a ideia de colecionar o videogame que marcou sua infância.

 

Nessa época, ele tinha apenas dez fitas. Depois de inúmeras visitas às lojas e boxes da Santa Ifigênia, trocas em fóruns de colecionadores na internet e buscas em locadoras de videogame antigas - “a mina de ouro”, segundo ele -, Rafael já tem cerca de 50 títulos e quer mais. No entanto, a moda de colecionar o console está atrapalhando os planos de expansão do acervo. “Muita gente está começando coleções e, por isso, a brincadeira está ficando cada vez mais cara.”

 

Inflação. A constatação é partilhada por quase todos do ramo. Segundo Marcelo Tavares, gerente da loja Eletromil, na Santa Ifigênia, houve um rápido aumento no custo das fitas e aparelhos de Super Nintendo nos últimos anos. “Cinco anos atrás, você comprava uma fita por R$ 5, R$ 10. Agora, as mais caras chegam a custar R$ 60, mais do que vários jogos originais de videogames modernos, como o Playstation 3”, afirma. A explicação? “O Super Nintendo é um aparelho que já saiu de linha, mas que todo mundo gosta. E ainda está ganhando essa pecha de item de colecionador, o que faz com que os preços aumentem ainda mais”, diz Tavares.

 

Se R$ 60 parece exagero, uma breve busca em sites de compra na internet pode fazer esse valor parecer miúdo. Caso a fita esteja bem conservada e ainda tenha embalagem e encartes originais, o preço pode ultrapassar algumas centenas de reais.

 

O investimento é alto, mas não assusta colecionadores fanáticos como o analista de sistemas Lorian Munhoz Júnior, de 36 anos. Ele usa dois quartos de sua casa em Santo André, na Grande São Paulo, para guardar 150 videogames e 3.118 jogos - um dos maiores acervos do País. Só de Super Nintendo, Lorian tem dois aparelhos - a versão americana e a japonesa - e 99 fitas. Já de Mega Drive e Sega Saturn, seus consoles favoritos, são 228 e 234 jogos, respectivamente.

 

O que mais ocupa espaço em suas prateleiras, no entanto, são os mais de 400 cartuchos do bom e velho Atari - o primeiro videogame que ganhou, em 1983, aos 7 anos. Para jogar em tantos aparelhos, o jeito foi ligar nove deles num seletor conectado à TV. “Diferente de uma coleção de selos ou outra coisa assim, você pode aproveitar o que tem no seu acervo”, diz.

PONTOS-CHAVE

 

Primeira e segunda gerações (até os anos 1980)

Primeiros computadores domésticos e a era dos telejogos. Principais sucessos comerciais foram Pong (1973), Atari 2600 (1977) e Intellivision (1980)

Terceira geração (até o começo dos anos 1990)

Nintendo Entertainment System (NES, 1983) faz sucesso com o Super Mario Bros. Master System traz o Alex Kidd ao Brasil, em 1989

Quarta geração (fim dos anos 1980 e anos 1990)

A disputa é entre o Mega Drive (1988), que popularizou o Sonic, e o Super Nintendo (1993 para o Brasil, foto) que continuou a dominância de Mario

Quinta geração (meio dos anos 1990)

O Sega Saturn (1994) substitui cartuchos por CDs. A Sony (1995) entra no mercado com o Playstation. Em 1996, é lançado o Nintendo 64

Presente e futuro

Em 2004, a produção de Super Nintendo é encerrada. Playstation 2 (2000) e Xbox (2002) marcam a sexta geração e são seguidos pelo Xbox 360 (2005), Playstation 3 e Wii (2006)

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