Viegas é contra Exército nas ruas do Rio

O ministro da Defesa, José Viegas Filho, disse nesta terça-feira ser contra o uso ostensivo das Forças Armadas no combate à criminalidade no Rio. ?Não devemos nos precipitar em propor o engajamento das Forças Armadasnessa situação. A defesa da lei e da ordem é competência das forças policiais e não das Forças Armadas?, disse Viegas, que passou dois dias fora de Brasília e hoje conversará sobre o assunto com outros ministros e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Na interpretação do ministro, as ações criminosas ocorridas no Rio nesta segunda-feira e terça-feira não configuram uma excepcionalidade, único caso no qual, segundo ele, a Cosntituição permite o emprego das Forças Armadas na defesa da lei e da ordem. ?Se não é a primeira vez que isso acontece, é difícil dizer que é excepcional?, argumentou. Ele disse que a governadora Rosinha Matheus agiu bem ao entrar em contato com o Ministério da Justiça e não com o da Defesa. O emprego da Forças Armadas no Rio foi defendido pelo secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Josias Quintal. Ele acredita que, com a ocupação das áreas críticas da cidade, a atuação da Polícia Militar seriafacilitada. Quintal, que é coronel reformado da PM, reconheceu que o tema é polêmico e já foi criticado por comentá-lo, mas considera necessário voltar à discussão da questão, embora o governo federal já tenha se manifestadocontra a idéia.?Há um preconceito semântico com relação a isso, embora a Constituição preveja essa possibilidade. É quase como uma questão matemática: há uma imensidade de comunidades, e a polícia não pode estar em todos lugares, ser onipresente. Nós sabemos que o narcotráfico está presente em toda essa imensidão urbana.? Para Viegas, entretanto, a solução é reforçar o efetivo policial, e não substitui-lo pelo efetivo das Forças Armadas.A governadora disse ter ficado satisfeita por sentir boa-vontade do governo federal em ajudar no combate à criminalidade no Rio. ?Eu conversei com o ministro da Justiça e depois com o superintendente da PF no Rio deJaneiro e eles se colocaram à disposição. Então, queremos conversar, saber o que eles têm para oferecer?, afirmou Rosinha.Em 1994, durante a Operação Rio, as Forças Armadas ocuparam as ruas e subiram favelas com o objetivo de reprimir o tráfico. Na ocasião, um convênio assinado pelos governos federal e estadual durou dois meses. A presença das tropas nas ruas aumentou a sensação de segurança da população, mas a atuação das Forças Armadas foi criticada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.