Vigilância eletrônica reduz crimes no centro de Porto Alegre

A instalação de câmeras de vigilância reduziu a ocorrência de crimes em dez locais da zona central de Porto Alegre. O levantamento foi divulgado pela Secretaria de Justiça e Segurança do Rio Grande do Sul dois meses depois do início da experiência. No período de 28 de agosto a 27 de setembro, ainda sem a vigilância eletrônica, foram 229 registros. No primeiro período de utilização do equipamento eletrônico, de 28 de setembro a 28 de outubro, as ocorrências de crimes visíveis para as câmeras caíram 55,34%. No segundo, de 29 de outubro a 28 de novembro, a queda foi menor, de 24,52%.O resultado, divulgado nesta semana, foi considerado excelente pelo secretário da Justiça e Segurança, José Otávio Germano, que já anunciou a ampliação do sistema com a instalação de mais 16 câmeras no dia 13 de dezembro e a aquisição, nos próximos meses, de 70 motocicletas e 70 radiocomunicadores para facilitar o deslocamento de policiais para os locais onde estiverem sendo detectando delitos.O programa também pode ser levado para o interior do Estado. "As cidades que quiserem e tiverem fontes de financiamento podem solicitar", avisa Germano. Em Porto Alegre, o investimento de R$ 2 milhões foi feito pelo governo do Estado.Os comerciantes e pessoas que circulam pelo centro ainda não compartilham do entusiasmo do secretário. "Nos últimos dias houve assaltos a um casal de idosos na parada de ônibus e de diversos pedestres na rua", relata José Henrique Borges, gerente de um bar localizado a poucos metros da esquina das avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho, um dos cruzamentos que está sob vigilância eletrônica. "Os ladrões não estão intimidados com isso", diz, referindo-se à câmera. "O que falta é policiamento."O vendedor que trabalha numa banca de revistas, que não quis se identificar, reconhece que há menos roubos na rua. Mas observa que os ladrões escolhem as vítimas no local para atacá-las a algumas quadras de distância.Proprietário de uma loja numa galeria próxima à esquina, Luciano Hornung está ouvindo menos gritos de pessoas roubadas na rua nos últimos dias. "Mas não posso dizer que a sensação de segurança aumentou", ressalta. Para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas), José Alceu Marconato, a sensação de insegurança é que tem aumentado no centro da cidade. Ele recebe diariamente relatos de associados assustados com assaltos que sofrem e presenciam, ou com histórias contadas por clientes que entram nas lojas em pânico.Os dados oficiais para a esquina da Borges de Medeiros com Salgado Filho indicam 46 furtos nos 30 dias anteriores à instalação da câmera, dez no primeiro mês de vigilância e 30 no segundo mês. Na esquina das ruas Voluntários da Pátria e Hoffmann, os casos de lesões corporais caíram de cinco para zero. Mas também há locais em que a câmera não evitou o crescimento das ocorrências. Num trecho da avenida Farrapos, onde a pesquisa inicial não havia detectado roubos a pedestres, houve três ocorrências sob a vigilância da câmera.O tenente-coronel João Carlos Trindade, diretor de relações institucionais da Secretaria da Justiça e Segurança, admite uma certa frustração com os resultados iniciais. "Talvez as pessoas não percebam a redução das ocorrências porque estão em áreas de grande circulação", avalia. Trindade está convicto de que a câmera é uma excelente ferramenta para conter a criminalidade nas ruas. E acredita que com os rádios, motocicletas, treinamento e a experiência, que ainda não têm, os policiais farão os índices caírem ainda mais nos próximos meses.

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