Vigilância investiga mortes de bebês em Mogi das Cruzes

Do filho Rafael, os pais Julimar e Núbia só guardaram a pulseira de identificação do berçário. Ele nasceu no dia 4 e morreu uma semana depois numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele é um dos oito óbitos da Santa Casa de Mogi das Cruzes nas últimas duas semanas - 50% acima do normal. Três crianças morreram no mesmo dia. A Vigilância Sanitária vistoriou o local, encontrou irregularidades e está acompanhando os outros casos do berçário para evitar mais mortes. Sete bebês da UTI estão isolados. A taxa de mortalidade média no berçário da Santa Casa é de oito bebês por mês.O fato de as mortes terem ocorrido em apenas 13 dias foi o que provocou o alerta. "Até agora o número de mortes está dentro da média. Se esse padrão sair da normalidade, vamos intervir", disse a diretora da DIR-3, órgão da Secretaria Estadual de Saúde, Nadia Romariz. A principal irregularidade apontada no laudo da Vigilância Sanitária foi a insuficiência de enfermeiros e auxiliares na UTI neonatal."Fiz todos os exames e até ouvi o coração dele bater naquele aparelho (ultrassom). Quando fui vê-lo na UTI, estava todo roxinho. Só me disseram que ele estava mal", afirmou hoje Nubia Aparecida Gomes, de 27 anos, mãe de Rafael. Ela teve outros dois filhos mortos na mesma Santa Casa, em 1995 e 1996. Outros três sobreviveram depois de semanas na UTI. Todos eram prematuros. Diabética, ela sabia dos riscos de se ter um filho, mas achava que desta vez ia ser diferente. Rafael nasceu de nove meses com 1 quilo e 415 gramas. "Temos que aceitar. Ele não volta mais", disse o pai, o pedreiro Julimar Donizete de Andrade, de 29 anos. Pelo atestado de óbito, Rafael morreu de insuficiência cardiocirculatória.O resultado dos exames de sangue das oito vítimas deve sair na próxima semana. Os sete bebês isolados estão sendo tratados dentro de um quadro infeccioso. O laudo da Vigilância Sanitária indicou que quatro mortes ocorreram por infecção de bactérias distintas - o que deve descartar uma situação de infecção generalizada."É uma situação de guerra mesmo. Se tem algo errado, vamos apurar", afirmou a uma emissora de TV Henrique Naufel, coordenador da UTI. Ninguém mais da direção do hospital quis se pronunciar sobre o assunto. Em nota, a Santa Casa afirma que as medidas preventivas para evitar mais mortes já foram tomadas. Foi aberta uma sindicância interna no hospital para apurar os óbitos em série.

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