Vigilante liberta ex-mulher mantida refém no RS após 70 horas

Com uma arma, ex-marido entrou na casa, onde a mullher estava com os filhos, inconformado com a separação

Elder Ogliari, de Porto Alegre, e Julia Baptista, da Central de Notícias,

15 de fevereiro de 2010 | 21h07

O vigilante  que mantinha a ex-mulher como refém há quase três dias em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, a libertou na noite desta segunda-feira. O cárcere privado de 70 horas é o mais longo registrado no Rio Grande do Sul. Segundo a brigada militar, as negociações aconteceram em clima de tranquilidade. Não houve lesões e ninguém ficou ferido.  Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, foi preso.  Josiane Pontes, de 29,  foi encaminhada ao hospital.

 

Ele saiu escoltado por oito agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Brigada Militar e foi conduzido à área judiciária da Polícia Civil. Depois de exames e do depoimento, seria transferido para o Presídio Central de Porto Alegre, já na madrugada desta terça-feira. A vítima deixou a casa chorando e desmaiou logo que pisou no pátio. Depois de reanimada, foi levada a um hospital para exames.

 

Depois de concluir a negociação que obteve a rendição do sequestrador, o coronel Jones Calixtrato dos Santos revelou alguns detalhes do caso.

 

O drama da mulher começou às 23h30 de sexta-feira, 12, quando o ex-marido entrou na casa em que ela estava com os dois filhos do casal, de 11 e 8 anos. Manifestando-se inconformado com a recente separação e portando um revólver calibre 38, adquirido no dia anterior, ele teria ameaçado matar a ex-mulher e se suicidar. Na manhã de sábado, 13, chegou a disparar contra um cunhado dela que tentou entrar no pátio, sem feri-lo. Logo depois libertou as crianças.

 

Ao longo das negociações, Luz chegou a admitir a rendição por três vezes, mas desistiu da intenção por medo de ser agredido pelos policiais que cercavam a casa. "No primeiro dia ele estava muito exaltado, depois foi se acalmando", relatou o coronel. "Ele foi perdendo o medo ao ver que o que falávamos acontecia e que o que prometíamos seria cumprido".

 

Segundo o subcomandante da Brigada Militar, a paciência nos negociadores foi fundamental para que o caso terminasse bem. "Graças a isso, é possível que tenhamos evitado a perda de duas vidas", avaliou.

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