Vigilante muda versão e reduz para 29 o número de mortes assumidas

Vigilante muda versão e reduz para 29 o número de mortes assumidas

Segundo a polícia, alteração foi feita por orientação das advogadas; Rocha causou confusão ao ser transferido para presídio

Marília Assunção, Especial para O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2014 | 18h42

GOIÂNIA - O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, 26 anos, mudou sua versão para o número de mortes que tinha assumido, reduzindo dez vítimas. O novo depoimento, no qual assume 29 mortes e não mais 39, foi dado antes de ser transferido para uma ala de segurança máxima do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional. A chegada ao local, no início da tarde de quarta-feira, 22, foi marcada por troca de insultos e ameaças de morte entre Rocha e outros presos.

As informações foram prestadas nesta quinta-feira, 23, pelo titular da Delegacia de Investigações de Homicídios, Murilo Polati. Ele convocou uma entrevista coletiva para atualizar os dados da investigação, uma das mais complexas já realizadas pela Polícia Civil de Goiás.

Segundo Polati, ao chegar no Núcleo de Custódia, o vigilante começou a gritar que tinha vontade de matar alguém por lá também e foi imediatamente rechaçado pelos outros presos com ameaças iguais. O episódio ocorreu logo depois que Rocha agrediu um fotógrafo que fazia a cobertura da transferência dele para a segurança máxima. 

O comportamento agressivo do rapaz foi interpretado por Polati como tentativa de se afirmar, "mostrar poder lá dentro", mas a retaliação dos presos fez com que Rocha ficasse quieto, segundo relato de agentes prisionais ao delegado. 

O vigilante está sozinho em uma cela e não faz nenhuma atividade junto com os demais detentos. A cela tem cerca de dez metros quadrados, com chuveiro, vaso sanitário e pia. Ele tem direito a banho de sol diário e poderá receber visitas nos finais de semana.

Sobre a mudança no depoimento, o delegado explicou que isso aconteceu por orientação da nova defesa do vigilante. O novo interrogatório foi acompanhado pelas advogadas que a família de Rocha contratou esta semana. A defesa assumiu a causa afirmando que Rocha foi coagido a confessar 39 homicídios, quando seria o autor de um número menor de mortes. 

Desistência. A Polícia Civil desistiu de encaminhar o vigilante para que o psicólogo forense da Polícia Científica de Goiás, Leonardo Faria, realize sozinho o exame de sanidade mental, traçando o perfil psicológico do provável serial killer. O psicólogo, que está se especializando em Ciências Criminológicas, começaria os testes de personalidade e outros exames em Rocha na quarta, 22, mas depois explicou que a análise será feita por equipe multidisciplinar convocada pela Justiça para se ter um diagnóstico mais completo e em uma fase judicial, decisiva nos processos contra o vigilante. 

A desistência também tira a Secretaria de Segurança Pública de Goiás do foco de suspeita. A instituição era alvo de críticas pela demora em assumir que os crimes poderiam envolver um assassino com perfil de serial killer, deixando para o Judiciário apontar a condição mental do suspeito de matar mais de 40 pessoas.

A Polícia Civil agora apressa os inquéritos porque o mandado de prisão que tirou Rocha das ruas é temporário, com duração de 15 dias, menor que o mandado preventivo, que deverá manter o rapaz preso até o julgamento dos processos. Já existem provas periciais que ligam o vigilante a oito mortes. Esta semana uma testemunha reconheceu Rocha como o autor do assassinato de mais uma pessoa, sem ligação com os casos que já estavam sendo apurados, o que elevaria de 39 para 40 o número de homicídios em que ele é suspeito.

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