Vigilante preso em Goiás agia como serial killer, diz polícia

Homem confessou ter matado mais de 40 pessoas, entre elas pelo menos 8 mulheres; suspeito alegou agir por uma 'angústia'

Marília Assunção, Especial para O Estado

15 Outubro 2014 | 18h07

GOIÂNIA -  Em depoimento à Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira, 15, o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, confessou uma série de crimes que podem ter causado mais de 40 mortes ao longo de dois anos. De acordo com a polícia, o suspeito matou homossexuais, moradores de rua e, por fim, pelo menos oito mulheres. Rocha é apontado pela polícia como um serial killer.

Descrito pelas autoridades policiais como um homem frio, o suspeito teria alegado em interrogatório que agia movido por uma  "angústia". O secretário de Segurança Pública de Goiás, Joaquim Mesquita, e o Diretor-Geral da Polícia Civil goiana, João Carlos Gorski, admitiram pela primeira vez que o "padrão" utilizado em várias das 15 misteriosas mortes de mulheres em Goiânia, ocorridas desde janeiro, confere com o rito descrito pelo suspeito e com características físicas e objetos dele. Tudo isto leva a polícia a identificar Rocha como um criminoso em série, com perfil de psicopata.

Familiares do suspeito que estiveram nesta quarta, 15, no complexo de delegacias especializadas, em Goiânia, para onde foi levado após a prisão na noite de terça- feira, demonstravam espanto. Rocha é solteiro, não tem filhos e morava com a mãe no Conjunto Vera Cruz, bairro da Região Noroeste de Goiânia.

O advogado Thiago Huascar, que assumiu a defesa do vigilante, questiona a forma como a confissão foi obtida. Ao Estado, ele reclamou que o cliente tenha sido interrogado "sem a presença de um advogado, após 18 horas dentro de uma delegacia e cercado por vários delegados". Ele disse que aguarda acesso aos autos para então solicitar a revogação dos três mandados de prisão que foram expedidos contra o vigilante.

Morte de mulheres. A Polícia Civil de Goiás montou uma força tarefa há três meses para apurar as 15 mortes de mulheres e vários ataques em circunstâncias parecidas: motociclistas, utilizando placas falsas e armados. A última agressão foi no domingo, 12, no Jardim América quando a vítima só escapou de ser baleada porque a arma do motociclista falhou. Mesmo assim, o homem chutou a boca da jovem.

Rocha foi preso na terça-feira, 14, por volta das 18 horas, quando se preparava para ir ao plantão em uma das portarias do maior hospital público infantil de Goiânia. Ele trabalha para uma grande empresa de segurança privada. A motocicleta do rapaz, uma mochila e o tênis que ele usava foram reconhecidos pelos investigadores como iguais aos usados nos ataques a algumas das vítimas. Na casa dele foram encontrados um revólver 38 e placas de motocicletas.

Segundo Gorski, o vigilante era investigado há cerca de um mês. Ele explicou que a prisão dependia da coleta de mais provas para subsidiar o pedido, atendido pelo juiz da 1ª vara criminal Jesseir Coelho de Alcântara. Questionado sobre a elucidação ter ocorrido no momento eleitoral, quando os problemas da segurança pública são tema entre os candidatos ao governo que chegaram ao segundo turno, o secretário de Segurança, Joaquim Mesquita enfatizou que a Polícia Civil "age tecnicamente, com absoluta autonomia técnica".

Vítimas. A Polícia Civil ainda está cuidadosa com a divulgação das informações obtidas no interrogatório do vigilante. Até então ele teria assumido os homicídios de Bruna Gleycielle de Sousa Gonçalves, Janaína Nicácio de Souza, Lilia Sissi Mesquita e Silva, Ana Maria Victor Duarte, Isadora Aparecida Cândida dos Reis, Juliana Neubia Dias, Wanessa Oliveira Felipe e da garota Ana Lídia de Sousa, assassinada aos 14 anos em um ponto de ônibus quando ia trabalhar em uma feira, em agosto.

Passado. Em abril de 2010, um outro caso de assassinatos em série em Goiás chamou a atenção do Brasil. O pedreiro Admar de Jesus Santos, que já tinha sido preso no Distrito Federal por pedofilia, foi detido pela morte de seis adolescentes na cidade de Luziânia. Os jovens tinham desaparecido no setor Estrela D´Alva 4. Os corpos foram enterrados pelo pedreiro. Trazido para Goiânia, oito dias depois ele foi encontrado morto na cela onde teria se enforcado.

Mais conteúdo sobre:
Goiás serial killer

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.