Vigilante que assumiu 39 mortes vai para ala de segurança máxima

Vigilante que assumiu 39 mortes vai para ala de segurança máxima

Antes de deixar delegacia, Tiago Rocha pediu para fazer a barba; ele chutou um fotógrafo que acompanhava a transferência

Marília Assunção, Especial para O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2014 | 16h39

GOIÂNIA - O vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, foi transferido no final da manhã desta quarta-feira, 22, para uma cela na ala de segurança máxima do Complexo Penitenciário, situado em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana. Rocha estava preso há oito dias, improvisadamente em uma cela da Delegacia de Narcóticos (Denarc), depois de ter assumido a autoria de 39 homicídios, cujas vítimas listava mentalmente.

A transferência foi resguardada por 20 agentes da Polícia Civil em quatro veículos. A instituição atendeu a uma exigência do preso que queria fazer a barba para ficar mais apresentável quando fosse filmado e fotografado na transferência. 


Também foi permitido que, antes, Rocha falasse por mais de uma hora com uma psicóloga particular. O vigilante já tem novo defensor. Três advogadas assumiram a defesa.

Chute. Com expressão de ironia e sorrindo, Rocha deixou a Denarc algemado e passou pela multidão de jornalistas. Um casal de policiais segurava cada braço. Antes de entrar na traseira da viatura, o vigilante chutou o fotógrafo Edilson Pelikano, do jornal Diário da Manhã, atingindo o abdome do repórter. Lamentando o episódio, o jornal divulgou que o fotógrafo passa bem.

O assessor de comunicação da Polícia Civil, delegado Norton Ferreira disse que a agressão ao repórter não surpreende porque o vigilante apresentou vários episódios de oscilação de humor no período em que esteve na delegacia. 

Da Denarc ele seguiu para o Núcleo de Custódia do Complexo Penitenciário, onde fica a ala de segurança máxima. No Núcleo de Custódia, Rocha foi fotografado para identificação. 

Lá ele será mantido afastado dos demais presos. Ficará em uma cela sozinho e fará todas as atividades, como almoçar e tomar banho de sol, sem companhia. A intenção é resguardar a segurança do preso, que já tentou se matar na Denarc, onde também demonstrou que pode ser uma ameaça à segurança interna, quando expressou o desejo de assassinar algum detento do complexo quando fosse transferido.

Caso haja a necessidade de mais interrogatórios antes da conclusão dos inquéritos, que já estão bem avançados, os delegados que atuam na força tarefa vão até o Núcleo de Custódia. Somente depois que os inquéritos forem concluídos e que esteja definida a participação do vigilante nos crimes investigados, será possível saber quais são as acusações e as penas às quais Rocha está sujeito a ser condenado.

Esta semana o vigilante se tornou suspeito de agir como pistoleiro. Os investigadores apuram se ele recebeu R$ 1 mil para executar um comerciante e R$ 3 mil para matar uma funcionária pública, como revelou uma fonte que manteve contato com o preso, que não pertence à corporação. 

Também esta semana ficaram prontos mais dois exames de balística confirmando envolvimento de Rocha nas mortes de Ana Maria Víctor Duarte, assessora parlamentar, e de  Mauro Ferreira Nunes, fotógrafo. Com isto, somam oito mortes com provas confirmadas, de 39 assassinatos que o vigilante teria confessado. 

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