Vigilantes criticam plano de Alckmin

A Confederação Nacional dos Vigilantes divulgou nota protestando contra uma das propostas feitas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao presidente Fernando Henrique Cardoso para combater a violência nos grandes centros urbanos. O protesto é contra a transferência do controle das empresas de segurança privadas, da Polícia Federal para as Secretarias de Segurança dos Estados. A nota lembra que a idéia de Alckmin não é nova e foi proposta no Plano Nacional de Segurança enviado ao Congresso em junho de 2000 pelo governo federal, que a retirou após negociações com o Ministério da Justiça. Segundo a nota, a volta do controle das empresas de segurança privada pelos governos estaduais representará um retrocesso, já que essa forma de fiscalização ocorreu até meados da década de 90 e, segundo a Confederação, foi responsável "por grandes desmandos e desmantelamento do sistema de segurança pública e privada nos Estados". O motivo dessa situação, segundo a nota, é que muitas dessas empresas são direta ou indiretamente controladas por delegados, policiais ou oficiais das polícias estaduais. "Deixar a fiscalização das empresas de segurança nas mãos de quem tem interesse particular nelas é, mais que uma temeridade, uma irresponsabilidade". Segundo a Confederação, as estatísticas mostram que as empresas legalizadas de segurança não estão envolvidas em crimes, e que a divisão da Polícia Federal responsável pela fiscalização tem feito um trabalho competente. A nota lembra ainda que existe uma comissão de acompanhamento dessas empresas, composta por representantes dos empresários e dos trabalhadores, do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério do Exército, que se reúnem periodicamente para avaliar o desempenho das empresas e dos vigilantes. Diz ainda o texto da Confederação: "Querer desregulamentar tudo isso não atende às necessidades de segurança da população brasileira. Atende, isso sim, a um lobby poderoso e recorrente das secretarias de segurança dos Estados e seus tentáculos, nem sempre oficiais ou aparentes. Esperamos que o governo federal, mais uma vez, não se deixe levar por essas pressões ilegítimas e inescrupulosas". A nota é assinada pelo diretor de Assuntos Institucionais da Confederação, Chico Vigilante.

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