Vila Isabel emociona desde o início

Com uma homenagem a América Latina, a Vila Isabel contagiou a Marquês de Sapucaí no primeiro dia de desfile. Nem a falta do principal símbolo da escola, o sambista Martinho da Vila, conseguiu diminuir a alegria da azul e branco de Noel Rosa, que este ano completa 60 anos. Tanto que a escola encerrou sua passagem pelo Sambódromo ao som de ?É campeã?. Magoado por ter seu samba desclassificado este ano, Martinho ficou fora da festa pela primeira vez. Mas, sua filha, a cantora Martinália, desfilou na ala dos compositores. ?O espírito dele está aqui de qualquer forma?, afirmou. O presidente da Vila, Wilson Viera Alves, fez questão de negar o afastamento de Martinho e destacou a importância do compositor na história da azul e branca. Já o carnavalesco Alexandre Louzada se mostrou mais chateado com a situação. Principalmente, pelas insinuações de que o enredo foi inspirado no CD latinidade gravado por Martinho. ?Esse enredo já existia. Não foi pego nada do CD de Martinho?, reclamou. ?Uma pessoa que se diz apaixonado por uma escola não faz isso?, alfinetou. Para traduzir a latinidade na Sapucaí, a Vila apostou em fantasias que abusaram do colorido. O carro abre-alas lembrou o esplendor do império Asteca, com pirâmides e uma grande serpente. Para a construção do carro, a escola gastou cerca de R$ 150 mil só em paetês. A novidade ficava por conta dos destaques, que desciam da alegoria e sambavam na pista durante o refrão do samba. Louzada destacou que a intenção com o enredo ?Soy loco por ti, America? não foi homenagem nenhum país específico, mas sim integração das culturas na região. O último carro que inclui uma réplica de Símon Bolívar de 12 metros de altura, trouxe uma alegoria em formato de coração cercada por figuras de heróis, escritores, poetas e líderes latino-americanos, entre eles Gabriel Garcia Márquez, Eva Perón e Che Guevara. Desfile emocionante A Unidos de Vila Isabel entrou na Marquês de Sapucaí para emocionar o público. Logo de cara, Joãozinho Trinta, com mais nove pessoas, entraram na avenida de cadeira de rodas e foram ovacionados pelo público. Todos são pacientes do Hospital Sara Kubtischeck, onde o carnavalesco se recupera do seu segundo AVC. O samba de André Diniz também funcionou bem. Embora a composição fuja da tradição da escola de sambas mais melódicos, está sendo bem sucedida no aspecto "vibração do público". O enredo "Soy loco por ti America - A Vila canta a latinidade" foi repetido por 3500 componente, perfilados em 36 alas e 8 alegorias. A Vila Isabel abriu seu desfile com uma comissão de frente de componentes fantasiados de bananas. A proposta foi brincar com as ditaduras da América Central que produziam bananas para a multinacional United Fruit Co e cujos regimes eram "fantoches" do governo dos Estados Unidos. Pela primeira vez na história da Vila Isabel a coroa, símbolo da escola, veio na comissão de frente. A Vila Isabel pode perder pontos no quesito mestre-sala e porta-bandeira. No momento, em que o casal se apresentava para o segundo módulo de jurados, a porta-bandeira Ruth teve o azar de deixar a bandeira enrolar duas vezes. Destaques da Escola A atriz Leticia Spiller desfilou na Vila Isabel entre os diretores da escola. Ela disse que "é uma honra" sair numa agremiação de bambas como Martinha da Vila. Leticia descreveu a fantasia como uma adaptação da roupa da diretoria, uma espécie de "cigana brasileira latino-americana". Adriane Galisteu, rainha de bateria, que desfilou pela Rocinha, foi um machucado em seu ombro, causado pela fantasia. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o principal desfalque da Vila Isabel. A presença do mandatário chegou a ser anunciada pela agremiação.

Agencia Estado,

27 Fevereiro 2006 | 05h38

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