Vila Isabel lembra centenário de Noel Rosa com capricho

Vida e boemia do lendário sambista inspiraram desfile, que teve samba assinado por Martinho da Vila

Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

16 de fevereiro de 2010 | 04h15

 

RIO - Penúltima escola a entrar na Marquês de Sapucaí, a Unidos de Vila Isabel lembrou a vida e a boemia de Noel Rosa, no ano em que o sambista e compositor completaria 100 anos. "Noel paira sobre a Vila", disse o presidente da escola, Wilson Vieira Alves, para explicar a escolha do enredo "Noel: a presença do poeta na Vila". Buscando o terceiro título de campeã do Grupo Especial do carnaval carioca, a agremiação fez um desfile caprichado, com samba-enredo assinado por outro sambista de respeito: Martinho da Vila.

 

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A Vila Isabel optou por focar não nas músicas, mas na vida curta do artista - ele morreu aos 26 anos - em 31 alas, formada por 3,5 mil componentes, e oito carros alegóricos. Cada setor representou uma fase da vida de Noel, em ordem cronológica. Destaques para sua descoberta como sambista, a influência do morro e da boemia e para as participações no teatro de revista, rádio e cinema.

 

 

A apresentação não tinha nada de tristeza: "Não vamos tratar da morte, o desfile terá o clima de sua vida alegre, da boemia", afirmou Alves, antes de entrar na avenida. A inovação ficou por conta da bateria, que teve a estreia de mestre Átila no comando. Como rainha de bateria, a dançarina Gracyanne Barbosa.

 

A escola finalizou o desfile dentro do tempo, de 82 minutos, e não foi prejudicada por incidentes. A recepção do público foi boa. O presidente da agremiação evitou o clima de "já ganhou". "Resultado, só na apuração. Mas é claro que uma escola com um enredo, com conteúdo bem descrito e um samba fantástico já entra com vantagem", afirmou.

 

VOLTA DE MARTINHO

 

Presidente de honra da agremiação, Martinho da Vila não assinava um samba da escola há 17 anos. "Noel Rosa para a Vila Isabel é quase uma entidade, um santo", afirmou em entrevista à Agência Estado, na última quinta-feira.

 

 

Antes da escolha do enredo, era Martinho quem ganharia uma homenagem da escola. Mas, por ocasião do centenário do lendário sambista, a diretoria optou por Noel. Ao blog Samba de Primeira, Martinho defendeu a escolha: "O enredo sobre a vida de Noel Rosa vai ser o da minha vida."

 

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(Com Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo)

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