Vila Madalena é a que mais ''ignora'' a lei seca

Estudo da Unifesp mostra que, naquela região, média dos motoristas que dirigem após beber é maior do que em outros bairros da cidade

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

A Vila Madalena, bairro que abriga o maior circuito de bares de São Paulo, é também a área que mais "ignora" a lei seca. Dados parciais de um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostram que, enquanto na média da cidade a taxa de motoristas que misturam álcool e direção está em 18%, no recorte da região boêmia da zona oeste o índice sobe para 25%. O trabalho de campo, ainda em andamento, foi feito por pesquisadores munidos de bafômetros, que em fins de semana percorreram pontos de diversão noturna da capital paulista. Até agora, foram abordados 1,4 mil condutores de carros e motos. Amanhã e domingo será a última etapa da pesquisa, que deve estar consolidada em junho.A liderança da Vila Madalena na desobediência à lei seca - que vai completar um ano no próximo mês - venceu adversários de peso como o Tatuapé, na zona leste, Itaim-Bibi, Moema e Interlagos, na zona sul, Santana e Tucuruvi, na zona norte - todos bairros conhecidos pela concentração de bares.Segundo Sérgio Duailibi, médico da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniad), instituição da Unifesp que conduz a pesquisa, a parcela que mais aparece como infratora da lei é formada por homens entre entre 18 e 25 anos, não por coincidência o público cativo da Vila Madalena. Apesar de considerar alto o índice de 18% de condutores alcoolizados, Duailibi pondera que a lei restritiva, que há 11 meses prevê multa de R$ 957 até para quem dirigir após um copo de cerveja, também agregou benefícios. "Na pesquisa anterior, que fizemos em 2007 (antes da vigência da lei), identificamos que 31% dos motoristas bebiam e pegavam a direção", afirmou. O presidente da Comissão de Trânsito da OAB/SP, Cyro Vidal, avalia que ainda é muito prematuro aferir numericamente a mudança de comportamento pós-lei, mas que o hábito tem íntima ligação com a fiscalização. "E, infelizmente, a ação dos fiscais nas ruas diminuiu sensivelmente", acredita o jurista. Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), tem a mesma opinião. "No início, o ensaio da ofensiva fiscal criou um temor que hoje já não existe mais." NÚMEROS25% dos motoristas dirigem após beber na Vila 1,4 mil condutores foram abordados31% dos motoristas bebiam e dirigiam, segundo dados de 2007R$ 957 é a multaaplicada a quem beber e dirigir

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