Vila Maria, X-9 e Império se destacam na primeira noite de desfiles

Unidos da Vila Maria, X-9 Paulistana e Império da Casa Verde foram as escolas que mais empolgaram as cerca de 31 mil pessoas que acompanharam o primeiro dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi. As apresentações foram marcadas com o luxo nas fantasias e carros alegóricos e as sete primeiras escolas desfilaram dentro do tempo previsto, entre 60 e 64 minutos. Às 23h32, a Imperador do Ipiranga, estreante no Grupo Especial, enfrentou o peso de ser a primeira escola da noite a desfilar e não conseguiu empolgar as arquibancadas no início. Mas cerca de 15 minutos depois, com a entrada da bateria, o público esquentou um pouco mais. Destaque para o sucesso que fez o primeiro carro alegórico, uma esfinge recheada de gordinhos. Nas fantasias, muito amarelo e dourado, apesar de as cores originais da Imperador serem o branco e o azul. Com um samba-enredo que enalteceu o aço e a siderurgia brasileira - Siderurgia forte constrói mundo de aço -, a agremiação da zona sul entrou no sambódromo paulistano com um vulcão que soltava fumaça no carro abre-alas rodeado por uma comissão de frente fantasiada de homens das cavernas com fantasias de pele de tigre. Mas o público só levantou mesmo das arquibancadas com a entrada da X-9 Paulistana, escola da zona norte. Com um enredo sobre cores e tintas, e um carro alegórico carregando cerca de 20 destaques com fantasias com plumas laranja. Logo na comissão de frente já era possível notar a variação de cores que a escola queria imprimir no desfile. Bailarinas com roupas de sete cores diferentes - numa alusão às cores do arco-íris, coreografaram e deram um prenúncio do que estava por vir, à medida em que o samba-enredo "Força Brasil - o País que surge da tinta delira num carnaval de cores" aquecia o sambódromo, na voz do puxador oficial da escola, Edson Dino. Além de fantasias mais luxuosas, os integrantes da X-9 cantavam a letra do samba e estavam mais vibrantes do que os foliões da Imperador do Ipiranga.. Pelo menos o refrão do samba-enredo da escola foi decorado e repetido pelo público. Companheiros A primeira escola falou do aço, a segunda da tinta, a terceira a entrar na passarela do sambódromo do Anhembi prometia uma homenagem à construção civil. Mas, o que se viu no desfile da Tom Maior foi uma referência à luta dos trabalhadores e dos sindicatos na história do Brasil, com 3,5 mil componentes, 23 alas, cinco carros alegóricos e 280 ritmistas. Mas as fantasias e alegorias tinham menos brilho que as das escolas concorrentes. Com o enredo "Com licença, eu vou à luta", a agremiação pediu salários mais altos e fez do PT e da CUT as estrelas do seu desfile. A central de trabalhadores ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos patrocinadores do carnaval da escola e, por isso mesmo, teve direito a carro alegórico vermelho, com boneco barbudo e tudo mais. O carro "A Força do ABC" estava repleto de companheiros petistas, a maioria integrantes da CUT. Destaque para o senador Eduardo Suplicy (PT) e sua namorada, a advogada Mônica Dallari. O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (que já foi presidente da CUT) também estava no carro. Um integrante da escola foi atropelado pelo carro. Encaminhado ao posto médico, Michel Motta, de 26 anos, foi diagnosticado com trauma no abdômen e removido ao Hospital do Mandaqui. Logo no início do desfile da Tom Maior, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), apareceu na própria passarela do samba e observou a chegada do carro abre-alas da escola. Questionado se ele teria alguma escola do coração, Serra disse: "Tenho, mas não revelo". O tucano aproveitou para acenar e cumprimentar o público. Recebeu em troca acenos, mas também gestos obscenos. Tigres na luta pelo tricampeonato A Império de Casa Verde entrou na avenida disposta a brigar pelo tricampeonato. Com o enredo "Glórias e Conquistas - a força do Império está no salto do tigre", Campeã nos dois últimos anos, a escola surpreendeu e entusiasmou, de cara, o público, trazendo em seu carro abre-alas cinco tigres gigantescos, além de surpresas pirotécnicas. O carro de 60 metros de extensão, mostrou uma explosão de serpentinas, que cobriu parte do veículo. A cada explosão do carro, o público levantava. Com 3.500 componentes, 26 alas e 5 carros alegóricos, a Império foi a terceira escola a desfilar no Anhembi e a que mais empolgou o público. Seu samba-enredo foi o mais cantado, o público, que gostou da melodia, sabia a letra e cantou junto. Acrobacias Apesar da simplicidade nas fantasias e carros alegóricos, a Acadêmicos do Tucuruvi ganhou a simpatia e agitou o público no sambódromo com a comissão de frente que teve malabarismos. Com o enredo ´Renovar é preciso para que o viver seja preciso´, a escola trouxe acrobatas vestidos de gafanhotos que formaram uma pirâmide humana e ´lançaram´ uma garota de apenas 11 anos ´como um pássaro´. A coreografia também contou com acrobacias e piruetas na avenida. A escola, que ficou em oitavo lugar em 2006, trouxe 3.200 componentes, distribuídos em 21 alas, cinco carros alegóricos e 230 ritmistas. Destaque para a mistura de samba com batidas de rap que marcou a introdução do samba-enredo, além das paradinhas da bateria. Recuperação de Cubatão A Unidos da Vila Maria surpreendeu no final da madrugada deste sábado, ao cantar a recuperação ambiental de Cubatão, cidade no litoral de São Paulo conhecida na década de 1980 por ser o local mais poluído do país - o Vale da Morte. Com muitas cores, confetes e serpentinas, a sexta escola a desfilar trouxe movimento para a avenida e empolgou os foliões. Carros luxuosos apresentaram alegorias dançantes e colocaram a escola entre as preferidas do público. Com 14 integrantes, a comissão de frente explorou a morte e o renascimento de Cubatão, sede do primeiro pólo petroquímico do País - responsável por sua derrocada ambiental. Na passarela, 13 monstros representavam a poluição, ao sair de uma caveira de oito metros de altura, com uma foice na mão, ao mesmo tempo que a Mãe Natureza - grávida - resistia à sujeira. Logo atrás, anjos percorreram todo o desfile em pernas de pau. Com um aquário real, repleto de peixes vivos, o carro abre-alas veio logo depois. Chamado "Vale da Vida", a alegoria mostrou uma mulher segurando um bebê - símbolo do renascimento da cidade. Nenê A Nenê de Vila Matilde, última escola a entrar no sambódromo, começou o desfile com seu puxador dando um sonoro bom dia. A escola da zona leste da capital paulista entrou na passarela do Anhembi casando exatamente a letra do seu samba-enredo com o momento - estava no final da madrugada e os sambistas cantavam os primeiros momentos da manhã. A escola reviu em seu enredo as tradições de carnavais passados, conservando a cor de sua bandeira - o azul e branco - para contar o enredo "A águia radiante com o pioneiro das comunicações: João Jorge Saad - 70 anos de conquistas e realizações". O único momento em que a escola mostrou um "show de tecnologia" na passarela do samba foi quando seu terceiro carro alegórico cruzou o sambódromo. Com um estúdio móvel, a BandNews FM transmitiu ao vivo o desfile da escola da zona leste. Além disso, o carro carregava vários aparelhos de televisão, que transmitiam imagens ao vivo do Anhembi. Como a Nenê foi a última escola a entrar na avenida, pelo menos 40% do público já tinha ido embora do sambódromo. A escola usou a melodia e o repique da bateria para criar uma estratégia que aumentou ainda mais a participação do público. Ponto para a escola, que mesmo com pouca gente contagiou.

Agencia Estado,

17 Fevereiro 2007 | 08h08

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