Vila Sapo só vira área de risco após morte de jovem

Segundo Prefeitura, locais são classificados apenas após denúncia ou por alguma ocorrência

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2008 | 00h00

A morte da estudante Natália Araújo, de 14 anos, soterrada depois que sua casa desabou por conta das chuvas da tarde de anteontem, colocou a Vila Sapo, na zona norte, no mapa de áreas de risco da Prefeitura. A maior parte das obras para acabar com os riscos de deslizamentos e o monitoramento são feitos com base em um mapa elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) no final de 2003. As atualizações, segundo a Prefeitura, só ocorrem quando há denúncias da população, ou quando há alguma ocorrência como a da Vila Sapo."A cidade é muito dinâmica. Quando temos denúncias de novas invasões, atuamos imediatamente, principalmente se for em área de manancial. Mas, às vezes, dentro de uma mesma favela a gente elimina uma área de risco, mas surge uma nova, em outro ponto", explica o coordenador do programa de intervenções em área de risco da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, Marcel Costa Sanches. O levantamento realizado em 2003 apontou 562 áreas com perigo de deslizamentos em encostas e margens de rios em 20 subprefeituras da capital. Dessas, 315 foram classificadas de nível alto e muito alto. E são essas regiões mais graves que foram priorizadas ao longo desses cinco anos pelo governo municipal. "Só de obras foram 291, desde 2003. Um investimento de R$ 66,4 milhões", conta Sanches. A estimativa hoje é que 60% das áreas perigosas já tenham sido eliminadas.LÍDERNa época do mapeamento, a zona sul era a líder de problemas. Só na Capela do Socorro havia 39 áreas de nível alto e muito alto de perigo. Hoje, segundo a subprefeitura, as regiões críticas caíram para 13. Em seguida vinha a zona norte, depois leste e, por fim, oeste. A Prefeitura não informou em quais áreas foram feitas as obras. Para este ano a previsão é investir R$ 30 milhões. "São obras de direcionamento de águas pluviais, canalização de córregos e contenção de encostas", exemplificou o coordenador do programa. Outra forma de atuação da Prefeitura é na remoção de famílias. De 2003 a 2007, 18.419 casas foram desocupadas pela Secretaria de Habitação, com a Verba de Apoio Habitacional (VAH), um total de R$ 75,8 milhões. Mas para a geógrafa Kátia Canil, do Laboratório de Riscos Ambientais do IPT, a única maneira de acabar com áreas de risco é com uma política habitacional mais efetiva.O Laboratório do IPT faz o monitoramento de 64 cidades do Estado com riscos de deslizamento. NÚMEROS315 áreas foram apontadas pela Prefeitura como locais de alto ou muito alto risco de desabamento, em 2003R$ 66,4 milhões foi o investimento em obras para tentar sanar o problema60% das áreas perigosas já foram eliminadas, segundo a Prefeitura

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