Villas-Boas pode abrir com áreas ainda contaminadas

A Prefeitura deve inaugurar o Parque Orlando Villas-Boas, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, sem descontaminar totalmente o terreno, onde funcionava uma usina de compostagem de lixo. Segundo a Cetesb, o acesso a algumas áreas onde há poluentes acima do permitido será restrito e não serão plantadas árvores frutíferas nem perfurados poços artesianos para aproveitar a água, já que o lençol freático também está contaminado. Reportagem do Estado de abril do ano passado, revelava a contaminação do local. E que a inauguração estava prevista para dezembro do ano passado. Até agora, não há data para o início do funcionamento. Dentro do parque, que tem 55 mil metros quadrados, foram encontradas substâncias tóxicas em níveis superiores ao permitido, como cobre, chumbo e zinco. Nas águas subterrâneas, além dos metais, há contaminação por organoclorados, como o tetracloroeteno, que estão ligados à síndrome da fadiga crônica. Quando inalado em quantidade, o cloroeteno provoca perda de consciência.O engenheiro Vicente de Aquino Neto, do setor de Áreas Contaminadas da Cetesb, apresentou ontem relatório sobre a contaminação do parque e o plano de gerenciamento do terreno em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Danos Ambientais da Câmara Municipal. "São medidas preventivas", disse o técnico, que afirmou que ainda não dá para saber com certeza qual o nível de contaminação do local. "Podemos avançar na investigação e, de repente, eliminar todas essas restrições."ORIGEM DOS POLUENTESSegundo ele, não é necessário descontaminar o interior do parque, mas apenas a área vizinha, onde funcionava uma fábrica de freios de trem, a Sab Wabco. Está nesse terreno, e não na usina de compostagem, a origem dos poluentes. A área, de cerca de 30 mil metros quadrados, pertence à construtora Cyrela, que tem planos de construir um condomínio residencial. A reportagem não conseguiu falar com nenhum responsável pela empresa.Vereadores da CPI não concordaram com o parecer do técnico. "Não tem meia contaminação. Ou o solo está contaminado ou não está", disse o vereador Paulo Frange (PTB), presidente da comissão. "Tem de remover os elementos tóxicos antes de abrir o parque. Não dá para ter pressa e colocar em risco os frequentadores. É melhor agir mais lentamente e garantir a segurança."

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