Violência amplia risco cardíaco, dizem médicos

Índices de enfarte e mortes crescem até 3 vezes após situações estressantes, como sequestro e latrocínio

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O aumento da violência pode resultar em um impacto direto na saúde cardíaca da população. Médicos de todo País, a partir de hoje, estão reunidos para discutir as sequelas no coração provocadas por situações como sequestros, estupros e roubos, crimes em ascensão no Estado. As evidências internacionais mostram que, após situações estressantes, os índices de enfarte e morte súbita são ampliados em até três vezes. A relação íntima entre violência e pane cardíaca, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Antônio Carlos Chagas, foi comprovada com um "triste exemplo" anteontem. A referência é ao advogado Ademar Boaventura Michels, que morreu aos 60 anos de enfarte, na noite de terça-feira, logo após ser libertado de um cativeiro. Morador de Diadema, na Grande São Paulo, ele ficou em cativeiro durante 15 dias. Na avaliação dos especialistas, assim como no caso de Michels, o estresse funciona como ativador de uma "bomba" no organismo, que acelera os batimentos cardíacos, altera a pressão e resulta em pane do principal órgão do corpo humano (leia mais no quadro ao lado). O resultado da violência no coração nem sempre é imediato e pode aparecer só anos após um grande trauma. Hoje à noite, durante a abertura do Congresso de Cardiologia, em Blumenau (Santa Catarina), o médico do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) Sérgio Timerman vai apresentar ensaios científicos feitos no exterior que dão base à ligação entre estresse pós-traumático e problemas cardiovasculares. 11 DE SETEMBROUm deles, feito pela Universidade de Nova York e publicado em dezembro do ano passado, evidenciou que após os ataques do 11 de Setembro (2001), os problemas metabólicos como diabete, obesidade e pressão alta cresceram em até 4%. As mortes por enfarte tiveram uma ampliação registrada de 15%. Outro estudo, publicado em março deste ano pelo American College of Cardiology mostrou que os ataques cardíacos triplicaram na comunidade de New Orleans após o furacão Katrina, em 2005. "É uma catástrofe após a catástrofe", opinou Timerman. "O mecanismo que faz despertar os problemas no coração após um desastre natural se repete em situações de conflito urbano."O alarde em São Paulo é trazido pela onda de violência que atingiu sobretudo a capital paulista. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentaram 80% no primeiro trimestre de 2009, em comparação com igual período de 2008. Os crimes contra o patrimônio bateram recorde:12,64% de aumento. Os estupros também aumentaram - 36,86% no Município.

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