Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

‘Violência contra mulher se naturalizou’, diz sociólogo

Para autor, um fator se destaca: a impunidade; apenas 7,4% dos agressores foram condenados ou estão aguardando julgamento

Luísa Martins, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2015 | 00h01

BRASÍLIA - O que explica, afinal, a violência de gênero e suas consequências? Para o autor do Mapa da Violência 2015, Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo e coordenador da Área de Estudos Sobre Violência da Flacso, um fator se destaca: a impunidade. “Ano após ano, observamos, com mistura de temor e indignação, que o País vem quebrando suas próprias marcas, numa espiral de violência sem precedentes”, diz, nas considerações finais da pesquisa.

O Sistema Penitenciário Nacional registrava, em 2013, um número estimado de 7.912 presos pelo crime de violência doméstica, representando que apenas 7,4% dos agressores foram condenados ou estão aguardando julgamento – no mesmo ano, 4.762 mulheres foram assassinadas no País.

“Autorização”. Segundo o sociólogo, a violência contra a mulher se naturalizou na sociedade brasileira, inclusive “autorizando” o homem a praticá-la, com a finalidade de “punir” e “corrigir” comportamentos femininos que transgridem o papel esperado de mãe, mulher e dona de casa.

“Culpa-se a vítima pela agressão sofrida, seja por não cumprir o papel doméstico que lhe foi atribuído, seja por ‘provocar’ a agressão dos homens nas ruas ou nos meios de transporte, por exibir seu corpo ou ‘vestir-se como prostituta’”, afirma Waiselfisz.

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