Violência contra mulheres presas ocorre há anos, diz governo

Enviada especial ao Pará para acompnhar caso de jovem estuprada aponta descaso com as mulheres detentas

Agência Brasil

01 de dezembro de 2007 | 14h27

A enviada do governo federal ao Pará, Elisabete Pereira, aponta descaso com as mulheres no sistema prisional brasileiro. Ela é uma das coordenadoras do grupo interministerial criado para acompanhar o caso da adolescente de 15 anos que ficou presa durante três semanas numa cela com 20 homens, em Abaetetuba (PA), e é diretora da Secretaria Especial de Políticas Públicas para Mulheres. "O que temos apurado nessas visitas é que a violência contra a mulher no sistema prisional é de muitos anos", comenta.   Veja Também:   Presa 15 dias em cela com homens, mulher denuncia estupro no Pará Para a polícia, Abaetetuba é a "Medellín brasileira"   Segundo a coordenadora, o grupo tem feito visitas periódicas em presídios de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rondônia, Brasília e Espírito Santo.     "É uma população que está completamente ignorada dentro do sistema. Os próprios secretários de Segurança Pública nos estados, quando trabalham os repasses financeiros do governo federal, trabalham para o setor de penitenciárias masculinas, não demandam nem investem coisa nenhuma para as mulheres."   "A mulher no Brasil não pode nada. Ela não pode sequer delinqüir", afirma. Na avaliação de Elisabete Pereira, o sistema prisional do país "é o retrato de uma cultura onde a mulher é "invisibilizada" e a presidiária, muito mais. Isso é punir a mulher duas vezes".   Ela cita como exemplo a morte de três mulheres este ano no pavilhão 3 do Presídio de Santana (SP). Segundo ela, o secretário de Administração Penitenciária do estado alegou, à época, que as mulheres já estavam doentes. Entretanto, de acordo com Elisabete, pelo menos uma delas morreu de leptospirose.     "Tem uma contaminação imensa de ratos, de pombos e de escorpiões dentro do presídio", afirma.     Outro fato citado como exemplo de descaso foi a transferência de mulheres para uma ala do Complexo do Carandiru (SP), depois de sua demolição.   "Implodiram o Carandiru porque não servia mais para os homens, deixaram um pavilhão e mandaram para lá 1,3 mil mulheres que estavam espalhadas no estado", disse.   "O raciocínio é que, quando não serve nem para o preso homem, sobra para a mulher. É essa a filosofia do sistema nos estados", disse.   Ela acrescentou que o grupo interministerial vai propor alterações no sistema prisional feminino do país. "A alteração vai da estrutura arquitetônica do presídio, até o trabalho com os filhos e a família dessa mulher para reintegrá-la na sociedade", afirmou.

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