Violência deixa mais de 2 mil alunos sem aula na Maré, no Rio

Secretaria Municipal de Educação informou que três escolas deixaram de funcionar 'por conta de violência no entorno'

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

30 Outubro 2013 | 14h49

RIO - A greve dos professores da rede municipal do Rio de Janeiro terminou na terça-feira, 29, mas os 2.027 alunos de três escolas no complexo de favelas da Maré, zona norte da cidade, ainda estão sem aulas nesta quarta-feira, 30. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as aulas foram suspensas "por conta de violência no entorno". O 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pela segurança do local, informou que não houve operações na comunidade hoje.

Além dos estudantes municipais, mais de 400 crianças e adolescentes da ONG Uerê, que atende alunos com dificuldades de aprendizado causadas por traumas pela violência local, também ficaram sem aulas.

De acordo com a coordenadora da ONG, Yvonne Bezerra de Mello, houve um tiroteio por volta das 7h, horário de entrada dos alunos nas escolas, e as aulas foram suspensas. Na semana passada, os estudantes ficam três dias sem aula por causa da violência.

"Estamos vivendo nessa situação de violência insuportável desde o início do ano", afirmou Yvonne.

Quando ingressam na ONG Uerê, os jovens são orientadas sobre como se proteger em caso de tiroteio entre criminosos de facções inimigas e entre eles e policiais.

Em nota, o 22º BPM informou que "as operações são planejadas sempre com base em informações do Serviço de Inteligência" em horários que não coincidam com os turnos escolares. A última ação oficial da PM no complexo da Maré ocorreu em 25 de outubro, mas as operações não têm periodicidade preestabelecida.

Na única escola da rede estadual na Maré, o Ciep Professor César Pernetta, os 1.118 estudantes estão tendo aulas normalmente. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, o 22º BPM realiza monitoramentos constantes na região.

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