Violência fecha escolas no Rio

Portões trancados e salas de aula vazias. Esse era o cenário, nesta quarta-feira, em pelo menos seis escolas municipais da zona norte do Rio. Os bairros do Grajaú, de Vila Isabel e do Engenho Novo são classificados como ?zona em conflito? pela secretaria municipal de Educação, que estima em 4.800 o número de alunos sem aulas há dois dias.Nas madrugadas de segunda e terça-feira, houve tiroteio entre traficantes dos morros dos Macacos, Encontro e do complexo do São João. Nesta quarta-feira, o comandante da PM, coronel Francisco Braz, ordenou a ocupação das favelas por tempo indeterminado.Um dos acessos ao Encontro foi bloqueado com duas geladeiras, usadas como barricada por traficantes. A escola municipal Duque de Caxias, na rua Marechal Jofre, sequer abriu as portas nesta quarta. As outras cinco unidades ? João Goulart, Equador, Assis Chateaubriand, Noel Rosa e Francisco Campos ? tentaram retornar à normalidade, mas o medo foi mais forte.?Ligaram para o colégio e avisaram que se tivesse aula iam jogar uma bomba lá?, disse Ingrid Mozer, aluna da 7ª série do Francisco Campos. Junto com quatro colegas, aproveitou o dia livre para passear e ir ao shopping.A secretaria de Educação trata as ameaças como boatos, mas estudantes afirmam que, no ano passado, uma bomba de fabricação caseira foi colocada na escola. ?Os boatos que estão acontecendo por lá são todos apavorantes. Não temos outra saída a não ser suspender as aulas?, afirma Edgar Catoira, assessor da secretaria.Ele diz que, no mês passado, o mesmo aconteceu com 10 escolas municipais localizadas em Santa Cruz, que permaneceram fechadas por cinco dias. A secretaria garante, porém, que todas as aulas são repostas.O comandante da PM e o secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, afirmaram que vão verificar por que não havia policiais reforçando a segurança nas escolas ameaçadas, já que essa teria sido a orientação passada ao 6º batalhão (Tijuca).Pela manhã, o secretário visitou a 5ª DP, no centro, e elogiou as Delegacias Legais. Adotado na gestão do ex-governador Anthony Garotinho (PSB), o projeto é do sociólogo Luís Eduardo Soares, candidato a vice-governador na chapa da governadora Benedita da Silva (PT).Aguiar afirmou que em 60 dias a população fluminense sentirá os efeitos da nova política de segurança pública do Estado e que a ?racionalização? da presença da polícia nas ruas terá reflexos imediatos. O secretário se irritou com repórteres que questionavam a validade dos projetos do antigo governo.?Não vou criticar ninguém, vou pura e simplesmente aproveitar o que é bom. Vamos dar segurança a todos os cidadãos, inclusive ao Garotinho, à Rosinha (Matheus, ex-primeira-dama) e aos seus filhos.? Uma das novidades anunciadas nesta quarta pelo comando da PM é a instrução de tiro para os policiais, uma vez por semana, nos próprios batalhões.Atualmente, os treinamentos estão concentrados em duas unidades. O objetivo é reduzir a zero o número de balas perdidas. ?Um homem bem treinado com um 38 é melhor do que um alucinado com uma metralhadora?, afirmou o coronel Braz.

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