Violência invade universidade na Ilha do Fundão, no Rio

Duas alunas do curso noturno de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foram estupradas quando seguiam para o alojamento do campus da Ilha do Fundão, na zona norte da cidade, há cerca de três semanas. Desde janeiro, sete corpos foram encontrados no campus, e a Prefeitura Universitária registrou 30 roubos.O aumento da violência na Ilha do Fundão preocupa o reitor Carlos Lessa, que nesta quinta-feira conseguiu aprovar no Conselho Universitário uma proposta da Secretaria da Segurança Pública do Estado de instalação de quatro postos de policiamento na UFRJ.?Tenho muito medo de um dia ser acordado com a notícia da morte de um aluno, um professor ou um funcionário dentro do campus. Este ano já foram abandonados sete cadáveres, as pessoas estão sofrendo seqüestros relâmpagos e houve um aumento de mais de 250% no roubo de automóveis na Ilha do Fundão?, disse o reitor, durante a sessão extraordinária em que a proposta da secretaria foi aprovada, por 14 votos a 2, com 6 abstenções.Os conselheiros, porém, rejeitaram provisoriamente a sugestão mais radical de criação de um Batalhão da Polícia Militar dentro do campus. A medida, defendida pelo reitor, será discutida pela comunidade universitária e deverá voltar a ser colocada em votação pelo conselho nos próximos meses.A aluna Gilda Moreira, da Associação de Pós-Graduandos, considerou ?exagerada? a criação de uma batalhão na PM na ilha. Para a Associação de Docentes da UFRJ, a instalação fixa de policiais no campus ?ameaça a autonomia da universidade?: ?Quem garante que policiais corruptos não serão mandados para a UFRJ? E o que vai acontecer com o aluno que for pego por um PM fumando maconha??, questionou a representante do Sindicatos dos Trabalhadores em Educação, Ana Maria Ribeiro.Ela, no entanto, apoiou a iniciativa do reitor de pedir a colaboração da Polícia Federal para tentar reverter a situação no campus. O reitor deve ter um encontro nesta semana com o secretário da Segurança Pública, Roberto Aguiar, para apresentar o resultado da consulta ao conselho universitário.A proposta de colaboração entre a secretaria e a UFRJ surgiu após uma conversa de Lessa com Aguiar para discutir o problema. Também está previsto o treinamento pela polícia dos cerca de 200 vigilantes patrimoniais da UFRJ, que não usam armas.?Na verdade, eu queria, sim, colocar uma redoma na UFRJ. Expor alunos, professores e funcionários ao medo prejudica o rendimento da universidade?, disse o reitor. Segundo ele, o projeto para melhorar a iluminação do campus será licitado em 30 dias.A decana do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN), Ângela Rocha dos Santos, disse que uma das duas alunas estupradas no campus trancou a matrícula. ?Outro aluna que foi assaltada à mão armada há 15 dias também trancou. Todas eram de cursos noturnos, que foram criados em 1993 e são um sucesso na universidade?, disse ela. ?Temos furtos patrimoniais quase toda semana, e os assaltos na saída são freqüentes. Isso aqui à noite é um deserto cheio de pivetes.?

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