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Violência na Bahia: governador culpa PMs em greve por mortes e atentados

Dia ontem começou tenso em Salvador, mas à tarde, com militares do Exército espalhados por ruas e praias, população voltou às ruas

Tiago Décimo,

05 de fevereiro de 2012 | 11h39

SALVADOR - Embora mais fraca, a onda de violência continuou ontem na Bahia e o governador Jaques Wagner (PT) disse acreditar na participação de policiais militares grevistas em mortes e saques ocorridos no Estado.

“Parte dos crimes pode ser parte da operação montada, da tentativa de criar desespero na população para fazer o governo sucumbir, uma tentativa de guerra psicológica, como ocorreu em outros Estados, como Maranhão e Ceará”, disse. “Não tenho dúvida de que parte disso é cometido por ordem dos criminosos que se autointitulam líderes do movimento.”

O governador negou a possibilidade de anistia a PMs que cometerem atos de vandalismo ou violência – um dos itens da pauta de reivindicações tanto dos grevistas (cerca de um terço da corporação, de 32 mil homens), quanto dos que seguem trabalhando. “Não vejo como anistiar, perdoar o que quer que seja. Seria como dizer a outros criminosos que amanhã eles podem ser anistiados.”

Wagner voltou a dizer, sem citar nomes, que a Justiça baiana já expediu mandados de prisão contra 12 líderes – e mais 4 foram pedidos. “Tenho certeza de que a determinação judicial será cumprida, porque, se tem alguém com mandado expedido contra si e não se entrega à Justiça, ele é foragido.”

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, houve redução de crimes na Região Metropolitana de Salvador ontem, em comparação com o dia anterior. O número de homicídios, que havia sido de 18 entre a meia-noite e as 7h de anteontem, caiu para um na madrugada de ontem e 3 ao longo do dia. Balanço da secretaria apontava 31 assassinatos da zero hora de sexta-feira às 18h de ontem na região metropolitana, sendo 24 em Salvador – em 2011, a cidade teve média de 4,2 assassinatos diários. Desde o início da greve, na terça-feira, já foram 55 mortes na região metropolitana e 40 na capital.

Uma das vítimas ontem foi o policial civil João Carvalho Filho, de 47 anos, morto com oito tiros às 10h no bairro de classe média-alta do Itaigara. Ele estava à paisana e havia acabado de sacar dinheiro em um caixa quando foi abordado. Na madrugada, ainda foram registrados ao menos sete arrombamentos em Salvador – um supermercado em Ogunjá, a Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, três lojas na Liberdade e outra loja em Cabula, que acabou incendiada.

À tarde, com militares do Exército armados com fuzis e metralhadoras por toda a orla de Salvador, baianos e turistas voltaram a lotar as praias e pontos turísticos, como o Pelourinho. Em grupos de três ou quatro, soldados podiam ser vistos nas principais praias da cidade, como Barra e Porto da Barra. E eram apoiados por helicópteros. “Não é o ideal, mas acho que não há mais problemas, pelo menos durante o dia”, comemorava a técnica de enfermagem Marília Casas, que almoçava com o marido e o filho em um bar da Barra. “Acho que a gente ainda vai ficar com um pouco de medo, mas não dá para ficar em casa.”

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