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Violência no Maranhão faz governador pedir ajuda da Força de Segurança Nacional

Ações violentas foram praticadas por facções criminosas como forma de reação à dura repressão aos detentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas

Diego Emir, Especial para o Estado

22 Maio 2016 | 17h46

SÃO LUÍS - Uma onda de violência tomou conta da região metropolitana da capital maranhense nos últimos dias. Desde quinta-feira, 19, ocorreram 14 ataques a ônibus, destes, seis terminaram com veículos completamente incendiados. As ações violentas foram praticadas por facções criminosas como forma de reação à dura repressão aos detentos que está ocorrendo no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Em meio à situação de caos na Segurança Pública, o governador Flávio Dino (PCdoB) solicitou ao Ministério da Justiça o envio da Força Nacional, que começa a atuar no Estado na segunda-feira, 23.

De acordo com o delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, Lawrence Melo Pereira, 128 homens da Força Nacional vão ajudar no combate à violência. Desde o início dos ataques, houve reforço do policiamento na zona rural da região metropolitana, nos pontos finais dos ônibus, nos terminais de integração e nos bairros onde houve ocorrências.

Nos últimos anos, a Força Nacional também foi convocada pela ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) para ajudar no combate à violência e no controle dos detentos de Pedrinhas.

Mais uma vez, os ataques foram comandados de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas por líderes de facções criminosas. O suposto autor das ordens dos últimos atentados, Eliakim Machado, o "Sadrak", é um dos líderes do Bonde dos 40, uma das quadrilhas mais perigosas em atuação no Maranhão.

Em uma interceptação telefônica feita pela Secretaria de Segurança, Eliakim ordena: "Boa noite, meus irmãos da família 40! Tá dado aí um salve geral aí pra tá agarrando os ônibus, de preferência no ponto final, pois não tem ninguém dentro, tá tocando fogo nos ônibus. Mas é pra pegar fogo todinho mesmo os ônibus. Forma de protesto contra a opressão que estamos sofrendo no sistema penitenciário".

A opressão citada pelo detento se refere à repressão que a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária impôs aos prisioneiros após a morte do auxiliar de agente penitenciário Gilvan Cordeiro, executado na capital maranhense por membros de facções criminosas.

Para tentar acalmar a população e passar um clima de tranquilidade, Flávio Dino acompanhou pessoalmente as operações de policiamento ostensivo na noite de sábado, 21. "A polícia está presente para garantir a ordem pública", afirmou o governador.

Desde que passou a adotar o policiamento ostensivo, as forças de segurança do Maranhão identificaram e prenderam 38 suspeitos, sendo 21 autuados pelos ataques aos ônibus e outros crimes.

O secretário de Segurança, Jefferson Portela, classificou os atentados como "atos covardes" e disse que "a força do crime não vai predominar no Maranhão, e todos os autores e mentores dos crimes vão ser identificados".

Ainda de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, a partir do governo Flávio Dino, com novas estratégias e apoio dos serviços de inteligência, a polícia alcançou grandes traficantes, desarticulou quadrilhas locais e interestaduais, ocasionando, segundo cálculos do delegado-geral Lawrence Melo, um prejuízo de R$ 5 milhões ao narcotráfico. Em uma única ação, foram apreendidos R$ 500 mil reais em entorpecentes provenientes do Mato Grosso do Sul.

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