Violência policial cresceu no governo Benedita

A violência policial aumentou no Estado do Rio durante o governo Benedita da Silva (PT). A relação de incidências criminais divulgada hoje pela Secretaria da Segurança Pública mostra que a polícia nunca matou tantos civis quanto na gestão petista: em novembro, 105 pessoas morreram em supostos confrontos com policiais - número mais alto desde janeiro de 1998.Nos onze meses de 2002 foram registradas 834 mortes com esta classificação no Estado. Em todo o ano de 2001 houve 592 mortes. Em 2000, 427. No ano anterior, 289. Em 1998, quando esse tipo de incidência começou a ser contabilizado, foram 397. As mortes são classificadas oficialmente como "autos de resistência".Benedita assumiu o governo em 5 de abril, após a renúncia de Anthony Garotinho (PSB), que deixou o cargo para concorrer à Presidência da República. A coordenadora de Segurança Pública do Estado, Jaqueline Muniz, ressaltou que os números de mortes em confrontos entre criminosos e policiais já eram altos na administração anterior - foram 86 em janeiro, 57 em fevereiro e 63 em março, último mês de Garotinho. Em abril, já sob a administração petista, houve 70 mortes, número que subiu para 75 em maio, caiu para 58 em junho e voltou a subir para 73 em julho e 99 em agosto. Em setembro, 75 pessoas morrerem em embates com a polícia. Houve uma leve queda para 73 mortes em outubro, antes da explosão de casos verificada em novembro.O secretário da Segurança Pública atribuiu o aumento das mortes em confronto ao maior enfrentamento que a polícia estaria impondo aos traficantes de drogas. "Isso significa que o confronto está cada vez maior. É só você fazer uma correlação do número de prisões e conflitos com pessoas altamente armadas com o resultado de mortes. Nós aumentamos o número de prisões em situações de alto perigo. O número de policiais mortos também aumentou de maneira brutal. Se nós não tivermos essa clareza de enfrentamento e formos firmes para continuar, o Rio pode cair na barbárie, e nós não queremos isso", disse o secretário.Ele admitiu, porém, que o número de mortos em confronto "precisa ser minorado". Para Jaqueline, as taxas "são preocupantes", mas, apesar do esforço de redução, "o cenário não tende a se reverter no curto prazo".Em relação aos outros índices de criminalidade, houve queda dos homicídios dolosos (intencionais) na comparação entre os meses de outubro (577) novembro (545). O índice por cem mil habitantes de novembro foi semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado: 3,7 homicídios. Houve aumento da incidência total de roubos no Estado. Foram 9.678 em novembro, ante 9.672 em outubro e 8.482 em setembro. Os roubos a residência aumentaram de 140 casos em outubro para 169 casos em novembro. "Com números não se briga. É que no período de verão se observa uma tendência de ascensão, sobretudo dos crimes de rua", disse Jaqueline. Das 22 incidência criminais divulgadas, houve aumento em 13 no período de outubro para novembro.Na última apresentação pública de índices da gestão petista, Aguiar elogiou a proposta da governadora eleita, Rosinha Matheus (PSB), de criar uma secretaria específica para o sistema penitenciário. Foi divulgado ontem pela secretaria um anuário estatístico do Núcleo de Pesquisa e Análise Criminal, com todos os registros criminais de janeiro de 1991 a novembro de 2002, que será publicado hoje no Diário Oficial do Estado e poderá ser acessado por meio do site www.novapolicia.rj.gov.br. Também foi apresentado um perfil dos 3,7 mil policiais militares do Estado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.