Violência, um problema econômico do Rio

Episódios como a guerra de traficantes na Rocinhainfluem para o esvaziamento econômico do Rio de Janeiro, principalmente ao afastar turistas e o seu poder de compra, e este, por sua vez, aumenta o desemprego e os crimes, em um círculo vicioso. Essa constatação do presidente da AssociaçãoComercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira, deu o tom ao encontro do deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), candidato a prefeito da cidade, com empresários na entidade hoje de manhã. Bittar, que tinha sido convidado para falar sobre os investimentos federais no Rio, concordou com o raciocínio do ex-ministro sobre a influência negativa da violência na economia e vice-versa, observando que ?é visível o crescimento da favelização e da indigência?. No entanto, declarou acreditar que é possível quebrar esse círculo vicioso. ?Há saída para isso sim?, disse. ?Chicago e Nova York viveram no passado situações de grave violência e superaram?, comparou. ?Sou candidato a prefeito porque acredito em reverter esse processo de esvaziamento econômico?, declarou A solução viria, segundo Bittar, principalmente por três linhas de ações: estimular as vocações econômicas da cidade como os setores de software, indústria naval, energia, seguros e turismo; políticas sociais em áreas como habitação popular e para a juventude; e uma atuação integrada dos governos estadual, federal e municipal na política de segurança.Nesse ponto, Bittar criticou muito a governadora Rosinha Matheus e, seu marido, o secretário de segurança, Anthony Garotinho, que, lembrou, já se lançou candidato a presidente da República para as próximas eleições. ?A governadora e o secretário de segurança entraram em rota de colisão com o governo federal?, disse. Para ele, que isso tem prejudicado o Estado na área de Segurança e em relação ao oleoduto que a Petrobras queria construir, mas cancelou. ?A Secretaria de Segurança está claramente politizada?, disse. ?O secretário de segurança faz espetáculos e não política de segurança?, disse. Segundo Bittar, a inteligência da Polícia Federal no Rio conseguiu as informações de que a Rocinha seria invadida e repassou as informações para a Secretaria de Segurança Pública. ?Mas as informações foram mal utilizadas. Preferiram dar publicidade às informações, aí os traficantes mudaram datas e usaram pessoas de outros bairros?, disse.Bittar propôs dobrar o efetivo da Guarda Municipal e fazê-la mais atuante e com inteligência para ?liberar a Polícia Militar e a Polícia Civil para as áreas mais graves?.

Agencia Estado,

16 de abril de 2004 | 14h32

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