VIPs e turistas aderem às personal shoppers

Cada vez mais procuradas, elas vão com clientes a lojas ou escolhem as roupas e mandam entregar

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2008 | 00h00

Administradora de empresas, Lila Coelho, de 35 anos, que mora no Recife, aproveitou as férias de julho para fazer compras em São Paulo e renovar o guarda-roupa. Mas tinha dois problemas: não conhecia direito a cidade e não queria perder a semana batendo perna à toa por aí. "Não tenho corpo de modelo. Meu manequim é 46 e tenho 1,67 metro de altura", conta. "Não é tão fácil achar roupas que me caiam bem. Além disso, queria um visual diferente, mais jovem." Lila contratou um "personal shopper", especialista em compras. Cada vez mais procurado na cidade, esse profissional é dono de uma excelente agenda de compras, tem bom trânsito nas lojas, está inteirado das tendências da moda e se destaca pela habilidade de montar looks adequados a qualquer pessoa. Há dois tipos: um sai às compras com os clientes, acompanhando-os aos endereços nos quais vão encontrar o que procuram. O outro faz uma varredura pelas lojas, levando até a casa do cliente várias das opções que encontrou no mercado. Cobram de R$ 200 a R$ 300 por hora. A personal de Lila se encaixa no primeiro tipo. "Ela me levou a lojas que não conhecia e a outras que nunca tive coragem de entrar, não por falta de dinheiro mas por achar que não encontraria coisas para mim." Foram oito horas intensas de compras, e Lila voltou para o Recife com uma mala cheia de peças novas - ao todo, nove pares de sapatos, quatro bolsas, 20 modelos diferentes de roupas (fuseau, blusões de malha, jeans, coletes e camisetas pólo) e bijuterias. "?Causei? quando cheguei ao Recife. Meu marido disse que eu estava muito chique", diz a administradora. "Atendo muita gente de fora de São Paulo", conta Picida Gonçalves, de 40 anos, dona da Duas Assessoria de Moda, empresa especializada em serviço de personal shopper e de stylist. "Além de oferecer um roteiro específico, focado nas necessidades do cliente, vou a endereços que a maioria nunca ouviu falar." Os turistas viraram de fato um grande filão para shoppers como a paulistana Ana Dias (www.personalshopperbr.blogspot.com), de 42 anos, ex-modelo, que atende o Hotel Grand Hyatt São Paulo, no Brooklin, bairro da cidade que não conta com tanta oferta de lojas de grifes como os Jardins. "São empresários que vêm à cidade a negócios, mas precisam, por exemplo, de um presente para levar para a mulher e os filhos." Para acertar na compra, Ana levanta o perfil do cliente com a ajuda de um longo questionário. "Recebo muitas mulheres da Jordânia. Elas gostam de conhecer as lojas. Recebi um xeque que queria tanta exclusividade que conseguiu fechar a Daslu por uma tarde." Os clientes fixos pedem de tudo. "Abasteço a casa inteira, compro toalhas de mesa, louça de cozinha e até objetos de decoração." A dinâmica de trabalho é ágil. Com a arquiteta Fernanda Marques, uma de suas clientes assíduas, Ana comunica-se em geral por e-mail, por onde recebe as encomendas. Deixa as compras no quarto de dispensa da casa de Fernanda, ao qual ninguém tem acesso. "Marido não pode ver muitas sacolas pela casa, mesmo que não seja ele que pague a conta. Fica nervoso", brinca Fernanda. Quando se trata de roupas, Ana deixa um bilhetinho em cada cabide, indicando com que sapato e com que bolsa as peças novas cairiam melhor. Ana e Fernanda pouco se encontram. Se a peça não é aprovada, trocam e-mails novamente e mais tarde a shopper passa para pegar a mercadoria e devolvê-la na loja. As atendentes já estão acostumadas com o vaivém de peças. E não se importam. Ana chega a gastar por dia R$ 30 mil numa única butique. "Tem cliente que paga a passagem para eu fazer compras em Nova York, porque sai mais barato do que aqui." CELEBRIDADES Quem também costuma usar o serviços dos shoppers são as estrelas do show biz. "É o cliente especial, que, além de não ter tempo, sofre com o assédio dos fãs", diz Renata Filosi, de 37 anos, sócia de Picida. É o caso da cantora Sandy. "Elas trazem em casa opções de roupas, sapatos e bolsas para o dia-a-dia", diz a cantora. "Eu não adoro fazer compras, mas, quando estou de férias e viajo para o exterior, acabo comprando mais do que aqui. Fora do Brasil, dá para olhar tudo com calma e aproveitar para passear, ver novidades." Formada em moda, a shopper Kika Pagnot (www.kikapagnot.com.br), de 35 anos, tem na lista de clientes a família Lima. "Eles me ligam se precisam de uma calça jeans nova, se querem trocar de tênis ou ainda se vão viajar e precisam de um casaco legal", diz Kika, que leva as peças em consignação para fazer a prova na casa do cliente. "Eles experimentam. Se gostam, fotografo as roupas com diferentes opções de combinações." Ela deixa os retratos com os clientes. "O registro ajuda muito, pois quando não estou serve de guia, até mesmo para as camareiras que separam os looks."

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