Viracopos quer atrair 2 milhões de passageiros mantendo perfil

O anúncio de um novo aeroporto paraSão Paulo não vai desafogar Congonhas tão cedo uma vez queserão necessários pelo menos cinco anos para construção, deacordo com a Infraero. A saída mais rápida é aumentar autilização dos demais terminais aéreos do Estado, sendo queViracopos é o mais interessado em ampliar o atendimento apassageiros. O próprio superintendente da regional Sudeste da Infraero,órgão federal responsável pela administração dos aeroportos,prefere o pragmatismo. "Não se pode ficar esperando (um novo aeroporto)", dissenesta quarta-feira Edgard Brandão, que dedicou o dia a umavisita a Viracopos, para levantar suas necessidades imediatas. Enquanto o novo terminal ainda está no anúncio, Brandãoafirma que quer ampliar os cinco aeroportos do Estado--Congonhas, Viracopos, São José dos Campos e Campo de Marte,além de Viracopos. A 99 km de São Paulo e a 14 km do centro de Campinas,Viracopos, recebeu no ano passado 860 mil passageiros. De formaimediata, segundo o superintendente, este número pode chegar a2 milhões de passageiros, insuficiente para desafogarCongonhas. A capacidade do aeroporto da capital paulista é de12 milhões de passageiros por ano, mas com o surto nautilização de passagens aéreas chegou a 18 milhões. Em teoria, o terminal localizado na zona sul da capitalpaulista teria de dispensar 6 milhões de pessoas, daí asmedidas recentes de restrição para o terminal anunciadas pelogoverno federal. Viracopos já vem absorvendo vôos que tinham como destinoCongonhas. Na terça-feira, foram 21 e na segunda, 35 vôos. Nolocal, pousam e decolam 29 vôos todos dos dias. A Infraero diz que Viracopos poderia chegar a atender até 4milhões de passageiros, mantendo o estrutura atual de apenasuma pista e um só terminal, com ampliações. O volume nãoafetaria o perfil do aeroporto, voltado para o transporte aéreode cargas, um dos mais importantes da América do Sul. Entre 1995 e 2002, Viracopos recebeu investimentos de 87milhões de reais em obras de readequação e modernização. De2003 a este ano receberá mais 201 milhões de reais. Os recursos investidos em obras não impediram que nestaquarta-feira uma parte do forro do teto da ala de desembarquedesabasse e fosse isolada. Uma infiltração pela água da chuva,constante nos últimos dias, fez com que quatro placas de gessose desprendessem e caíssem, sem vítimas. Brandão culpou a empresa responsável pela obra e disse quea Infraero vai recuperar o local e cobrar judicialmente daconstrutora. Há pelo menos mais quatro pontos de infiltração nolocal, com baldes para receber a água. As adaptações não param e neste momento há uma reforma naárea de embarque que vai elevar o local de 1.100 metrosquadrados para 2.600 metros quadrados. A ampliação só foipossível após uma licitação que levou 11 meses para seefetivar, o que dá uma medida sobre a demora em realizar obrasdo tipo e faz imaginar como seria o cenário para um novoaeroporto. Também faz parte do plano diretor para Viracopos, entregueà direção da Infraero na sexta-feira passada, a construção deuma nova pista. "Aeroporto de uma pista só quase não é aeroporto, precisade outra pista para questão operacional e de segurança", disseBrandão. "Talvez no ano que vem", prevê. Apenas as desapropriações devem absorver recursos de 157milhões de reais. A prefeitura de Campinas informa que játornou a área de utilidade pública, o que facilita adesapropriação, e que já há licença ambiental para a obra. Aregião é formada basicamente por sítios, sem aglomeraçãourbana. SEM PESADELO Apesar de se considerar um entusiasta da ampliação deViracopos, o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos(PDT), faz um alerta sobre o movimento do aeroporto. "Não vamos deslocar o pesadelo (de Congonhas) para o nossoaeroporto", disse à Reuters. Por isso acredita nosinvestimentos federais necessários para a construção de umanova pista e demais ampliações de infra-estrutura. Ele confia que o transporte de carga aérea não seráafetado. "Ao contrário, ambos (passageiros e cargas)acrescentam valor agregado a um sistema de multimodalidade",afirmou. A região reúne empresas do setor tecnológico, comocomputadores e celulares que se utilizam do aeroporto. O terminal de logística de carga, impulsionado nos anos1990, tem 81 mil metros quadrados. No ano passado, o volume decarga importada chegou a 103,1 mil toneladas, acima dos 87,3mil toneladas do ano anterior. Na exportação, houve uma reduçãode 105 mil toneladas em 2005 para 93,7 mil toneladas em 2006. Viracopos, criado nos anos 1930 e homologado em 1960, nãotem "fingers" para o embarque e desembarque de passageiros.Utiliza escadas e ônibus. O acesso ao aeroporto, se não for feito por ônibus dascompanhias aéreas, é caro. Um táxi cobra 250 reais para um dostrajetos de ida ou volta a São Paulo e leva uma hora semtrânsito pelas rodovias dos Bandeirantes e Anhanguera. Se aopção for o carro, o estacionamento sai por 35 reais noprimeiro dia e 22 reais no segundo.

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