Viracopos vai absorver 20% das linhas de Congonhas

Objetivo é transformar aeroporto de Campinas, hoje eminentemente de carga, para acolher mais passageiros

Tânia Monteiro, Luciana Nunes Leal e Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2022 | 00h00

Da mesma forma que o governo quer mudar o perfil do Aeroporto de Congonhas, retirando a sua característica de ponto de distribuição de vôos para o restante do País, também está planejada a transformação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, de quase totalmente de carga para passageiros. Na redistribuição de vôos que será feita, em até 60 dias, o aeroporto do interior poderá absorver, de imediato, 20% das linhas que operam na capital. Para exemplificar como Viracopos está subutilizado, a Aeronáutica informou que o aeroporto, no ano passado, teve uma média de 68 pousos e decolagens por dia. Já o Campo de Marte, que funciona quase que como uma oficina de táxis aéreos na capital paulista, abriga diariamente 230 pousos e decolagens. Em Congonhas, são 640 movimentos por dia e em Guarulhos, 420. "As empresas vão ter de reestudar a malha aérea porque, senão, estaremos apenas transferindo a concentração de vôos para outros aeroportos", declarou o brigadeiro Ramon Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Segundo ele, as mudanças e a redistribuição de vôos terão de incluir vários pontos do País e as viagens alteradas terão de ocupar os aeroportos ao longo do dia - não haverá concentração de vôos em horários de pico. Além de Viracopos, outra opção para realizar conexões e escalas hoje em Congonhas é o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, que poderia ter a capacidade dobrada, passando de 275 pousos e decolagens por dia para pelo menos 550, desde que evitando a concentração em alguns horários. Outras possibilidades são os aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, que tem só 213 movimentos por dia, e o de Brasília, que tem 340 pousos e decolagens por dia. O governo estuda ainda o aproveitamento do Aeroporto de Ribeirão Preto. Nesse caso, no entanto, são necessários novos investimentos na pista, no pátio e na torre. OFERTA Após saber das medidas de restrição do número de vôos em Congonhas, o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), reforçou a oferta feita em fevereiro deste ano, quando afirmou ser possível garantir, por meio de duas leis municipais, a diminuição da alíquota do Imposto Sobre Serviços para empresas aéreas que transferissem seus serviços para Viracopos. "Campinas não concorre com outra área, pois já é alternativa pronta."

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