Viradouro desmonta carro do Holocausto

TJ do Rio vetou corpos empilhados na alegoria do enredo ?É de Arrepiar?

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

01 de fevereiro de 2008 | 00h00

Depois de provocar muita polêmica, o carro alegórico da Unidos do Viradouro que retrata o Holocausto foi desmontado pela escola de samba. O carro havia sido proibido pela Justiça de ser exibido na Marquês de Sapucaí durante o desfile da escola de samba, na madrugada de segunda-feira. A decisão foi tomada pela juíza Juliana Kalichszteim em resposta a pedido da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj).O carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros, chorou ontem à tarde ao acompanhar a desmontagem do carro alegórico. "Eu acho triste a gente tentar fazer um trabalho que é muito sério e as pessoas acharem que a gente está brincando, tripudiando, ridicularizando. A Viradouro vai dar a volta por cima disso", disse ele ao Jornal Nacional. Segundo ele, o carro alegórico vai tratar agora do direito de liberdade. O novo carro precisa ficar pronto até domingo, para a escola não perder pontos no carnaval. A escola pensa em usar o carro para fazer um protesto surpresa.O presidente da federação israelita, Sérgio Niskier, negociava com a escola a retirada da alegoria, mas decidiu ir à Justiça depois da revelação de que o carro teria como destaque um componente caracterizado como Adolf Hitler. Segundo a decisão, a escola pode até entrar na passarela com o carro, desde que retire da alegoria a parte formada por esculturas que retratam cadáveres nus de judeus mortos durante a 2ª Guerra Mundial e elimine a fantasia de Hitler. Ela estabeleceu em R$ 200 mil a multa que será aplicada à escola caso o carro como está no barracão desfile. Para cada passista que desfilar caracterizado como o ditador alemão, será aplicada uma multa de R$ 50 mil. REPERCUSSÃOA polêmica, que já tinha causado repercussão em jornais de Israel e da Itália, foi noticiada ontem nos principais sites de notícias, como o da americana CNN e o da britânica BBC.No texto entregue ontem no barracão da Viradouro, na Cidade do Samba, por um oficial de Justiça, a juíza escreveu que o carnaval "não deve ser utilizado como ferramenta de culto ao ódio, qualquer forma de racismo, além da clara banalização dos eventos bárbaros e injustificados praticados contra as minorias, especialmente cerca de 6 milhões de judeus (diga-se, muitos ainda vivos), e liderados por figura execrável chamada Adolf Hitler". A Viradouro não permitiu mais imagens do carro, que foi coberto por um plástico preto. A polêmica sobre o carro, que tem a função de retratar o "arrepio da execução" no enredo do carnavalesco Paulo Barros, intitulado É de Arrepiar, começou quando a diretoria da escola consultou a Fierj sobre a alegoria. Nela, esculturas com corpos nus esqueléticos contrastam com pares de sapatos para representar os milhares de mortos pelo regime nazista.Apesar de afirmar que entende a intenção da escola de denunciar o massacre, Niskier respondeu que o tema não é adequado para um desfile de carnaval, sob pena de ser mal interpretado.

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