Virgílio dá sinais de que PSDB quer colaborar com reformas

O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), um dos principais opositores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta segunda-feira a realização das reformas política e tributária ainda no primeiro ano do segundo mandato presidencial e deu sinais de que seu partido concorda em dialogar com o governo.Em discurso da tribuna do Senado, Virgílio observou que o presidente precisa dizer em torno de que ele quer discutir com a oposição. Logo após a confirmação oficial de sua reeleição, neste domingo, Lula propôs diálogo com os oposicionistas."Se ele (Lula) disser que precisa fazer uma reforma política, eu estou de acordo. Ela só sai em 2007, ou em 2011. Não podemos mais ter uma economia que se moderniza e um esquema político atrasado", afirmou o líder do PSDB no Senado. Ele disse que, se o governo deseja fazer uma reforma tributária, precisa fazê-la, também, no primeiro ano. "Ou faz agora, ou não faz depois." O senador acrescentou que é preciso fazer uma reforma tributária "mais radical", votar logo o que for consensual no Congresso e colocar para um prazo mais longo a apreciação das matérias mais difíceis. CorrupçãoArthur Virgílio disse também que o presidente Lula precisa "dar o exemplo e mostrar tolerância zero" com a corrupção. Ele acrescentou: "E nós, da oposição, não vamos ficar fazendo o jogo de atrapalhar o governo. Não existe nenhuma obsessão para que as coisas andem mal para o País. Eu não quero boicote ao governo, porque seria boicotar o País e uma revanche ao eleitor. Tenho de me curvar à verdade democrática", reconheceu.E ressaltou que a conversa entre governo e oposição não pode ser de ´cooptação´. "A conversa deve-se dar por iniciativa do governo e por uma postura de respeito com as oposições."Segundo Virgílio, o presidente Lula deveria "parar com essa história de ´nunca se fez isso´, ´é a primeira vez que se faz aquilo nesse País´:"É preciso, antes de mais nada, descer do palanque."O líder do PSDB contestou a afirmação feita pelo presidente Lula ontem, durante a comemoração da vitória, na avenida Paulista, em São Paulo, de que, nessa eleição, o andar de baixo venceu o andar de cima. "Não há andar de baixo vencendo o de cima", declarou. "O presidente tem de ter generosidade e nobreza de encarar a esperança que as pessoas depositaram nele. Não nos cabe questionar o resultado das urnas. Não esperem isso do PSDB. Foi esse o resultado que o povo queria oferecer à Nação." Corte de gastosO líder do PSDB no Senado também aconselhou o presidente Lula, neste segundo mandato, a tomar "medidas graves" e formar um ministério "de alto nível" e "nunca mais dizer que não sabe o que se passa no seu governo." O presidente, no entender do senador, precisa "enfrentar para valer a questão dos gastos públicos, que crescem acima do PIB (Produto Interno Bruto)."Para ele, Lula, na campanha eleitoral, "mediocrizou" o debate das privatizações de empresas estatais feitas no governo de Fernando Henrique Cardoso. "Ele (Lula) precisa enfrentar para valer a questão dos gastos públicos, que crescem acima do PIB, e precisa cortar gastos, sim", disse o líder do PSDB.Na avaliação de Virgílio, foi o Banco Central que garantiu a vitória de Lula na eleição deste domingo, porque sempre se preocupou com a inflação. "É essencial o controle rígido da inflação para o crescimento." Este texto foi alterado às 17h20 com inclusão de informação

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