Virgílio Medina é incluído em denúncia da Hurricane

A pedido do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, o advogado Virgílio Medina foi incluído na denúncia que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) que acusa magistrados de participação em suposto esquema de venda de sentenças em favor de bingueiros e bicheiros. Virgílio foi notificado nesta sexta-feira, 27, pelo crime de corrupção passiva, no qual seu irmão, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, também é enquadrado pela procuradoria no mesmo inquérito. O objetivo do procurador-geral foi reforçar a denúncia original, apresentada na última semana. Antônio Fernando fez uma complementação __ tecnicamente chamada de aditamento __ de três páginas, na qual afirma que Virgílio é a conexão entre a cúpula do jogo do bicho, beneficiária final no suposto comércio de liminares, e seu irmão ministro. Após uma reavaliação do caso, o procurador-geral concluiu ser mais adequado que Virgílio responda pelo crime de corrupção passiva nos autos do Supremo e não na 6ª Vara do Rio de Janeiro. Com base em grampos da Polícia Federal, o Ministério Público acusa Virgílio de ter negociado por R$ 600 mil uma decisão do irmão e ministro Paulo Medina a favor de uma empresa de caça-níqueis ligada ao esquema. Por conta da inclusão, Virgílio terá direito ao mesmo privilégio de foro dos demais acusados na denúncia: Paulo Medina; os desembargadores José Ricardo de Siqueira Regueira e José Eduardo Carreira Alvim, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região; o juiz Ernesto Pinto Dória, do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, e o procurador regional da República, João Sérgio Leal Pereira. O advogado de Virgílio, Renato Tonini, requereu ontem mesmo ao Supremo que libere seu cliente da prisão, estendendo a ele o mesmo tratamento dado aos desembargadores envolvidos na Hurricane. "A prisão é desnecessária. A liberdade não compromete o transcurso do processo, a colheita de provas nem a ordem pública", afirmou o advogado. Virgílio continuará, no entanto, figurando como acusado de praticar os crimes de quadrilha e contrabando no processo que corre na primeira instância no Rio junto com outros 23 acusados. Tomini reage à tese de que seu cliente ganhou um privilégio com o foro no STF no caso da acusação de corrupção. "O processo no Supremo elimina chances de recurso", disse. "O procurador-geral está tentando remendar a denúncia original, que, na análise técnica da defesa, é inepta.", afirma o advogado do ministro Paulo Medina, Antônio Carlos de Almeida Castro. Segundo ele, não há prova de ligação do ministro com o esquema.

Agencia Estado,

27 Abril 2007 | 19h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.