Virgílio prevê crise ´no dia seguinte´ à reeleição de Lula

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), previu um cenário negativo para o País caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito. "No dia seguinte tem crise", disse. Na sua avaliação, se derrotado, o presidente vai responder "aos milhares de processos na Justiça e terá problemas pessoais". Em caso de vitória do petista, o tucano disse que "esses problemas públicos que ele criou, que poderiam virar problemas pessoais, serão problemas da Nação inteira".Ao vincular Lula à crise, o líder do PSDB sugeriu que o presidente troque o nome para "Luiz Inácio Lula Crise da Silva". "Lula é o nome da crise, uma fonte permanente de crise", observou, para realçar como deverá ser o tom da oposição, deixando claro que não dá para passar "uma esponja" nos escândalos. "Volto a dizer: o cerco está se fechando. Não tem nada que se diga assim: agora vamos passar uma esponja. Não tem esponja nenhuma", disparou.O tucano citou notas na imprensa dando conta que o presidente teria sido arrolado como réu em ação popular na 2ª Vara Federal de Brasília, juntamente com outras 20 pessoas e empresas, acusadas de desvio de R$ 12,5 milhões destinados à produção de cartilhas da Secretaria de Comunicação do governo (Secom). A irregularidade está sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). "Ele está sendo arrolado no meio de alguns desconhecidos, não ilustres, como réu de uma ação de desvio de dinheiro público", enfatizou. O senador levantou a suspeita sobre a confecção das cartilhas e, ao mesmo tempo, citou que esse é mais um escândalo envolvendo Lula. "É a máxima do governo Lula: um escândalo novo aparecendo para abafar o anterior. Tem sido essa a tônica lamentável", sustentou. O líder do PSDB insistiu, em discurso na tribuna, que juntamente com os escândalos estão surgindo "laranjas" envolvidas na compra do dossiê contra tucanos."O governo teria de realizar uma obra de cunho eminentemente prático, que seria construir um pomar, um laranjal, algo assim. Não é, com um laranja aqui e outro acolá, que eles conseguirão dar conta de tanta corrupção e tanto desmando. Um pomar, talvez, e com cuidado de não exportar esses laranjas. Teremos problemas diplomáticos se começarmos a exportar gente desse tipo para países amigos, que são nossos tradicionais clientes e compradores das laranjas produzidas no Brasil", ironizou.Em duas horas de sessão e um plenário vazio, Virgílio se revezou com o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) no plenário. Enquanto um presidia, o outro discursava e vice-versa. Sentado, em sua cadeira, o senador José Jorge (PFL-PE), companheiro de chapa do tucano Geraldo Alckmin, se limitou a ouvir os discursos dos colegas. À tarde os três seguiram para o Rio de Janeiro a fim de acompanhar o debate na TV Globo entre os dois presidenciáveis.Na mesma linha do líder do PSDB, Fortes disse que os atos de corrupção cometidos pelo governo são "pautados na certeza da impunidade". E caso Lula seja reeleito, previu também um cenário "sombrio" para o País. "O que mais me impressiona neste governo é a capacidade de repetir os mesmos erros. E a certeza da impunidade faz com que as pessoas tenham segurança em repetir esse fatos que nos revoltam e chocam", disse o pefelista.

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