''Virou eleição plebiscitária'', diz Aécio

Em comício em Minas anteontem, o presidente Lula fez críticas à gestão tucana no Estado

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2010 | 00h00

A exemplo da disputa pela Presidência, a sucessão estadual em Minas Gerais se tornou uma eleição plebiscitária, conforme avaliou o ex-governador Aécio Neves (PSDB), candidato ao Senado. Após um jantar na noite de anteontem oferecido por profissionais do setor cultural em apoio ao governador tucano Antonio Anastasia, candidato à reeleição, Aécio evitou rebater as críticas feitas à gestão do PSDB no Estado pelo presidente Lula. Para ele, a decisão do eleitor, seja no plano federal ou estadual, se dará pela continuidade ou não dos projetos em vigor.

"Eu pelo menos propunha que não houvesse isso, que fosse uma outra construção política, mas o que ocorreu a nível nacional e a nível estadual é exatamente isso, virou eleição plebiscitária e os mineiros estão optando majoritariamente, de forma crescente, pela continuidade e pelos avanços do atual projeto", afirmou. "Preferiria que tivéssemos outras opções, mas hoje o que existe é uma eleição plebiscitária e vamos vencê-la."

Diante do crescimento de Anastasia nas intenções de voto, a campanha de Hélio Costa (PMDB) tenta nacionalizar a disputa, pregando o alinhamento político entre Estado e governo federal e apostando em Lula como cabo eleitoral. Na quarta-feira à noite, em comício em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, Lula deixou de lado a polêmica envolvendo a violação de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB e mirou seus ataques na gestão tucana em Minas.

O presidente sugeriu ao candidato peemedebista que nos próximos debates destaque os investimentos federais no Estado e acusou o governo mineiro de não investir o porcentual mínimo (12%) exigido na saúde conforme a Emenda 29. Disse que o Estado colocava apenas 6%.

Ontem, Anastasia, mesmo evitando qualquer confronto com Lula, rebateu a declaração. A administração estadual, com base numa instrução normativa (11/2003) do Tribunal de Contas do Estado (TCE) - que considera outras despesas com ações e serviços públicos de saúde -, alega que investe mais 12% do Orçamento na área.

"Enquanto não for regulamentada a Emenda 29, que tem de ser regulamentada pelo Congresso, e naturalmente com a participação do próprio governo federal, que tem a maioria nas duas Casas, devemos ter sempre respeito às decisões dos Tribunais de Contas de Estado", disse Anastasia.

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