Luiz Diniz/Divulgação
Luiz Diniz/Divulgação

Virtuais, festas de fim de ano têm DJ e até show de comédia

Funcionários recebem brindes e fazem apresentações; regras de etiqueta devem ser as mesmas de eventos presenciais

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 14h00

As plataformas para reunião online utilizadas durante a pandemia da covid-19 estão ganhando um novo uso entre os funcionários das empresas neste mês. Elas se tornaram anfitriãs de uma versão virtual das tradicionais confraternizações de fim de ano, com direito a show de comédia, brincadeiras e apresentações musicais.

Gerente de negócios, Sérgio Petena, de 48 anos, foi o DJ da festa da empresa Compugraf nesta sexta-feira, 18. Um ensaio com o RH foi realizado na semana passada.

"O que eu combinei com o RH foi de abrir espaço para que as pessoas possam interagir e pedir as músicas que querem ouvir. Esse tipo de abertura torna a festa mais alegre e interativa."

Os colegas já conheciam a sua relação com a discotecagem. "Há três anos, toquei em uma festa antes do jantar, em um hotel fazenda, na parte da fala do presidente e na entrega dos brindes. Levei os meus aparelhos, caixa de som, e toquei diversos estilos musicais."

O formato em live não vai ser uma novidade para Petena, que tem realizado eventos com esse perfil desde abril. "Com o Zoom, a gente consegue fazer a live de forma interativa, consegue falar e assistir, ver tocando ao vivo e ter a transmissão do som com qualidade. O pessoal da empresa sabe que eu faço as lives e já participam dessa descontração da sexta à noite."

E o qual a playlist da confraternização? "Tenho 21 anos de empresa e, pelo perfil de lá, músicas dos anos 70, 80, 90 e bandas nacionais. A expectativa é a melhor possível, porque música alimenta a alma e faz bem para todos."

Richard Vasconcelos, CEO da LEO Learning - empresa de soluções digitais para treinamento e desenvolvimento corporativo -, conta que as festas podem ter bandas, brincadeiras, atividades de culinária e aulas para fazer drinks. E também prestigiar os talentos dos profissionais.

Na festa realizada nesta quarta-feira, 16, ele participou de um show de comédia transmitido para os quase 100 funcionários da empresa. Eles também enviaram vídeos cantando, dançando e apresentando outras habilidades. Cinco tiveram seus minutos de fama em um show de talentos, com votação online do melhor e prêmio em dinheiro.

Os profissionais receberam em casa um kit com camiseta, ecobag, panetone e caderno de notas, duas latas de cerveja, vouchers de R$ 40 para pedir comida e, quem tinha mais de cinco anos de empresa, ganhou um troféu.

Neste ano, as empresas têm apostado em mimos para os funcionários. De acordo com a Look Brindes, que atua no ramo desde 1980, houve um aumento na demanda de 20% em relação ao ano passado.

"Neste mês de dezembro estamos recebendo pedidos diferentes do habitual. Já tivemos 230 solicitações dentro desse perfil, entre eles: caixas de som, fones de ouvidos, artigos femininos, como porta batom, espelho, kit com pincéis, luminárias. A maioria desses pedidos das empresas são para atender as festas virtuais."

Segundo a empresa, o aumento vem desde o começo da pandemia, com o início do trabalho remoto. "Com a proposta de motivar seus colaboradores, muitas empresas nos procuraram para a produção de kits contendo: agendas, copos, garrafas, mouse pads, canetas, e materiais de escritório."

Acolhimento para os funcionários

Proporcionar um momento para rever os colegas e descontrair em um ano tão complicado estão entre os objetivos das celebrações, que também estão se adequando à rotina corrida das pessoas para não virar uma tarefa adicional.

"Todas as festas estão acontecendo no horário de trabalho, sem festa à noite, e elas duram de uma hora e meia a duas horas, não dá para fazer mais do que isso. A gente tem de acolher as pessoas. Para o funcionário, é importante saber que a empresa está pensando nele", diz Vasconcelos.

Apesar de ser um evento que funciona para reunir as pessoas, ele acredita que não será um modelo para o mundo pós-pandemia. "Acho que não vai ser uma tendência. Festa é cultura e a gente cria cultura no olho no olho. Festa de final de ano, carnaval, festa junina são eventos que criam laços. O digital é mais barato, economiza, mas pode ser feito por uma empresa em que as pessoas trabalham mais espalhadas, em home office."

Rafael Ramirez, de 26 anos, foi um dos quatro funcionários que cuidaram nos preparativos da festa de fim de ano da NeoAssist. Profissional da área de experiência do colaborador, ele conta que a empresa já teve um evento virtual em julho deste ano.

"A gente ouve muito o que as pessoas querem. Como já teve um no meio do ano e a galera curtiu muito, estamos esperando o melhor. Vamos fazer coisas que as pessoas pediram, repetir coisas que deram certo e ter coisas novas que criamos."

Além do kit de brindes, os funcionários receberam itens para um café da tarde e um kit happy hour, com cerveja e amendoim. Ramirez diz que a ideia é combinar momentos de descontração e de lançar metas para o próximo ano.

"Vamos ter um resumo do que foi o ano, falar das metas e ter o planejamento para o ano que vem. Mas também vamos ter brincadeiras, como quantas vezes o áudio de alguém vazou, o hall da fama, com premiação de algumas pessoas, que já é uma tradição da nossa festa. Temos a preocupação de criar momentos para que as pessoas possam desconectar e para ajudar em criatividade e performance."

Regras de etiqueta seguem padrão de festas presenciais

A festa virtual também tem regras de etiqueta. Mesmo em casa, é preciso seguir padrões semelhantes aos de eventos presenciais, segundo  Edna Bedani, diretora de conhecimento e aprendizado da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional São Paulo (ABRH-SP).

Além de usar roupas adequadas, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e comentários inconvenientes, as famosas gafes na festa da firma, há novas regras trazidas pela pandemia.

"Tem de organizar o espaço, porque vamos receber os nossos colegas da empresa e gestores, e evitar interrupções inadequadas. Ficar em um local onde ninguém passe atrás de você e manter o microfone desligado em todos os momentos em que não é preciso falar nada."

E não é necessário ter vergonha de abrir a câmera quando for solicitado. "A empresa está pedindo permissão para entrar em casa. É só encontrar um espaço, até porque as festas online não demoram muito."

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