Visita à oficina da TAM frustra CPI

Deputados queriam ver como manutenção é feita, mas não acharam nenhum Airbus

Bruno Paes Manso, SÃO CARLOS, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

A visita dos integrantes da CPI do Apagão Aéreo da Câmara ao Centro Tecnológico da TAM ontem, em São Carlos (SP), até que prometia. A idéia era conhecer in loco a superoficina de manutenção e colher subsídios para o depoimento do vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, à CPI, marcado para hoje em Brasília. "Queremos ver como é a manutenção do Airbus e conseguir detalhes sobre suas condições", disse Eduardo Campos (PMDB-RJ). "Precisamos aprender para não fazer perguntas de leigo", completou Ivan Valente (PSOL-SP). "Já sei que se freia um avião pisando em pedal." Logo no início da visita, porém, a frustração: nenhum dos 60 Airbus da TAM estava em manutenção. "É muita coincidência não ter nem um sequer. Veja se não esconderam entre as árvores", ironizou Valente. Sem Airbus, os deputados aproveitaram para aprender sobre a oficina. O guia foi justamente Amparo. Os deputados o bombardearam com perguntas sobre o risco de manter voando um avião com reverso - freio aerodinâmico - inoperante. Ele voltou a dizer que o manual permite isso e passou a repetir a frase que se tornou o mantra da visita. "Tenho plena convicção de que a aeronave estava segura para pousar, mesmo com as pistas nas condições em que estavam." Na visita, os deputados captaram contradições, que guardaram para o depoimento hoje. Uma é a ênfase com que os engenheiros diziam que o reverso tinha papel secundário na frenagem. Em uma pista com espelho d?água, explicaram, ele consegue impedir o avião de seguir por só mais 55 metros - a pista principal de Congonhas tem 1.939 metros. "Mas quem garante que isso não seria suficiente para evitar o acidente?", retrucou Valente. "A dúvida é saber se não estavam deixando as aeronaves trabalharem no limite da segurança", disse Campos.

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