Visita de Bastos a presídio é cancelada por falta de segurança

No dia em que foi entregar recursos para reforma dos presídios em Mato Grosso do Sul, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi impedido de visitar uma das penitenciárias que o governo federal vai ajudar a restaurar. A agenda previa visita ao presídio de segurança máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, mas ela foi cancelada por falta de segurança.A alegação oficial é de que o ministro tinha um compromisso em São Paulo e se atrasaria caso fosse até a penitenciária, na saída da capital do Mato Grosso do Sul. A verdade é que homens do serviço de inteligência da Força Nacional de Segurança e da Polícia Civil local concluíram que seria perigoso demais colocar o ministro da Justiça dentro de um presídio parcialmente destruído e com a segurança a cargo de policiais militares armados, em vez de agentes penitenciários."Não é uma situação normal. A estrutura dos dois presídios de Campo Grande está seriamente avariada, estamos com PMs lá dentro. Não é o momento", explicou o diretor-geral da Polícia Civil do Estado, Wagner Silva. De acordo com o diretor, porém, o serviço de inteligência não encontrou indícios de novas rebeliões ou alguma ameaça específica."Não temos que colocar o ministro para visitar o presídio. Temos que colocar presos lá dentro", disse o secretário nacional de Segurança Pública do ministério, Luiz Fernando Corrêa.RebeliõesO presídio de segurança máxima que seria visitado por Bastos foi uma das quatro prisões do Estado que registraram rebeliões no dia 14, mesma época em que São Paulo enfrentava a onda de violência promovida pelo crime organizado. A coincidência reforçou a suspeita de que os motins foram insuflados por criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).Nesta penitenciária de Campo Grande, estão 1.400 presos, entre eles líderes de quadrilhas de tráfico e contrabando. Depois da rebelião, os 120 considerados mais perigosos foram transferidos para outra prisão do Estado, em Dourados.Quatro rebeliões ocorridas nas penitenciárias de Corumbá, Campo Grande, Três Lagoas e Dourados, no Mato Grosso do Sul, entre os dias 14 e 15 de maio, deixaram um morto, pelo menos cinco feridos, dois presídios destruídos e fizeram 150 reféns, durante 30 horas.RecursosEm um dos convênios assinados nesta quinta, o governo federal liberou R$ 2,34 milhões para o governo estadual reformar os presídios, seriamente danificados durante as rebeliões. Mas os recursos são apenas para Dourados. O governador do Estado, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, chegou a anunciar que seriam R$ 5 milhões - o valor que havia sido pedido ao governo federal -, mas o dinheiro para o presídio de Campo Grande, que o ministro iria visitar, não saiu.

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