Visitantes acham as portas fechadas

Um aviso na parede de vidro alertava para ?problemas técnicos?

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

Um mendigo dormia enrolado num cobertor sob o vão livre, alheio ao trânsito do meio-dia, enquanto a portuguesa Catarina Caixeira, de 19 anos, lia o aviso nas paredes de vidro. "Em virtude de problemas técnicos, o Masp está fechado à visitação pública." Aficionada por arte, ela pensava em fechar a temporada de seis meses no Brasil visitando o maior museu do País.Além de Catarina, centenas de pessoas bateram às portas do Masp ontem, sem saber que o museu fica fechado até quarta-feira. "Fiquei sabendo hoje (ontem, do furto)", disse Catarina, que passou alguns meses estudando artes plásticas em Florianópolis e, depois de um tour cultural por museus de Curitiba, Belo Horizonte e Rio, chegou anteontem a São Paulo.Frustração semelhante teve o casal colombiano Angela Rodriguez, de 28 anos, e Daniel Toscano, de 33. "Conhecíamos a fama do Masp. É uma lástima", disse ele. E sobrou para o segurança Manoel Dias da Silva dar as explicações sobre o motivo do fechamento. "Cansei. Mas tudo bem, temos de explicar." Segundo Silva, pelo menos 200 pessoas tentaram visitar o Masp ontem pela manhã.O furto ocorreu num período de recuperação do número de freqüentadores. No ano passado, passaram pelas catracas do museu 468.910 pessoas. Segundo a assessoria de imprensa do Masp, em 2007 o número ultrapassou os 500 mil, mantendo uma tendência que vem de 2003. Em 2000, o Masp atraiu 120.482 pessoas.Segundo o curador do Masp, José Roberto Teixeira Coelho, o crime não irá alterar esse viés. "Não acho que prejudica, mas também não vejo como impulsionaria." Para ele, o museu tem capacidade para dobrar o número de freqüentadores. "Esperamos que haja mais consciência dos tesouros que temos aqui e não são aproveitados." Entre esses "tesouros", há quatro pinturas de Van Gogh e três Picassos. "Temos nos esforçado em divulgar o nosso acervo e realizar boas exposições."Para agradar ao público, outro objetivo é evitar o caso do fisioterapeuta Raphael Oliveira Silva, de 25 anos. Ele morou em São Paulo por dez anos e só havia visitado o Masp uma vez, na infância. Ontem, de passagem pela capital paulista, tentou ver o acervo. "Mas encontrei tudo fechado."

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