Vistoria aponta falhas que podem causar novos incêndios na Cidade do Samba

Técnicos encontraram fios desencapados, instalações elétricas improvisadas e extintores vencidos ou vazios

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 18h13

RIO - Fios desencapados, instalações elétricas improvisadas, extintores vencidos ou vazios. Uma semana depois do incêndio que atingiu parte da Cidade do Samba, o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA-RJ) fez uma vistoria em dois barracões e identificou falhas que mostram que ainda há risco de novos acidentes.

 

Os técnicos da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea estiveram nos barracões da Imperatriz Leopoldinense e no Salgueiro. Eles avaliaram que a instalação está correta, com quadro de distribuição adequado. O problema está na falta de instalação de tomadas pelo galpão.

 

"Eles puxam uma extensão que atravessa todo o barracão. E a essa extensão outros fios são conectados. Fica uma gambiarra no meio do caminho", afirmou o presidente da comissão, o engenheiro elétrico Luiz Antônio Cosenza. "Essas emendas de fio no chão estão junto a plástico, tecido, isopor. Uma fagulha de um curto circuito provoca o incêndio".

 

Também foram identificadas outras irregularidades, como extintores fora das especificações e pessoas fumando durante o trabalho. "Aquela é uma área de risco, onde há material inflamável, solda, maçarico. Deve ser um ambiente muito controlado e o fumo tem de ser banido", afirmou Cosenza.

 

Nos próximos dias, engenheiros químicos e mecânicos voltarão à Cidade do Samba para complementar a vistoria. A intenção é preparar um relatório apontando as irregulares e propondo soluções para os problemas. As primeiras sugestões são para a instalação de tomadas de piso nos corredores entre os carros alegóricos e para a manutenção de uma brigada de incêndio 24 horas.

 

Nesta terça-feira, 15, o diretor de carnaval da Liesa Elmo José dos Santos passou a tarde reunido com engenheiro responsável técnico pela instalação elétrica da Cidade do Samba. O Estado procurou a assessoria de Imprensa da Liga das Escolas de Samba (Liesa), mas não houve retorno.

 

Demolição. A prefeitura começa amanhã o desmonte dos três barracões afetados pelas chamas. A princípio, serão retirados o telhado e as paredes do segundo andar dos prédios, numa área de 11.500 metros quadrados. Depois que o trabalho for finalizado, nova vistoria será feita para definir se o primeiro piso será preservado.

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