Vistos dos EUA já aprovados também podem atrasar

No Brasil, apenas os passageiros em situação de emergência, como tratamento de saúde e falecimento, têm conseguido documentação 

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2014 | 20h19

SÃO PAULO - Os vistos americanos que já foram aprovados estão sendo enviados aos solicitantes, mas o processo pode levar mais do que o prazo normal de dez dias úteis. Desde quarta-feira, 30, o serviço de emissão do documento foi suspenso em todo mundo por problemas técnicos. 

A Embaixada dos Estados Unidos afirmou nesta quinta, em nota, que o Departamento de Estado continua trabalhando para restaurar totalmente o sistema, mas ainda não há previsão para que o problema seja resolvido.

No Brasil, apenas os passageiros em situação de emergência, como tratamento de saúde e falecimento, está conseguindo documentação para viajar. O critério de avaliação dos casos cabe ao consulado americano. Por causa da pane, as entrevistas que estavam agendadas para hoje foram adiadas para o dia 13 de agosto em todo o País. Já o atendimento nos Centros de Atendimento ao Solicitante de Visto (Casv), onde é feita a primeira etapa da documentação, não foi afetado. 

Impotência. Aprovada como bolsista em um doutorado em Harvard, Paola Mello, de 29 anos, comprou passagem para os Estados Unidos mesmo sem ter visto de estudante e agora não sabe quando vai poder embarcar. A viagem está marcada para o dia 15 de agosto, mas a embaixada já a aconselhou a adiar a ida.

“Eu precisava chegar com antecedência para conseguir apartamento e organizar minha vida”, explica Paola, que deveria se apresentar em Harvard em 1.º de setembro. Por causa do problema com os documentos, a estudante de Farmácia pode ter o ingresso à universidade adiado. “É uma sensação de impotência, porque não depende de mim. Me organizei o ano inteiro para a viagem.”

O problema começou a afetar também a realização de negócios e conexões aéreas. “Quem comprou passagem para os próximos dias, sem visto, corre sério risco de não embarcar”, afirma Constantino Karacostas, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) em São Paulo. “A situação é grave, não só para o turismo. Muitas reuniões corporativas, com objetivo de fechar negócios, devem ser canceladas. Isso significa menos divisas e empregos.”

Como o visto também é exigido em conexões, a suspensão também afeta voos com destino a outros continentes, mas que precisam passar pelos Estados Unidos. “As empresas vão precisar pensar rotas alternativas”, diz o Karacostas. 

Pela suspensão ser recente, a avaliação sobre o impacto real no setor de viagens só deve sair na próxima semana, diz Karacostas. “Quem paga são os passageiros e as agências de viagem”, afirma. A Abav orienta as agências a realizar reagendamento ou concessão de crédito. 

“O prejuízo é altíssimo”, afirma Darlan Andrighetto, diretor executivo da agência de viagem Decolar Mais, com sede em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Segundo Andrighetto, em casos de reembolso integral, oferecido pela sua empresa, o prejuízo chega a quase 25% do valor de cada pacote de viagem vendido. “Esse prejuízo deve ser negociado com os fornecedores”, diz Karacostas.

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