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Vítima da crise, Museu da Tam, em São Carlos, suspende atividades

Presidente do museu já havia anunciado mudanças, mas a crise financeira precipitou a suspensão das atividades

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2016 | 18h40

A ideia surgiu no final da década de 80, quando os irmãos João e Rolim Amaro - fundador da companhia aérea Tam - começaram a percorrer de motocicleta o interior da Argentina e Chile em busca de aeronaves antigas para montar um museu de aviação no Brasil. Depois de nove anos da inauguração, o Museu da Tam, que funcionava em São Carlos, teve anunciado, nesta terça-feira, 2,  a suspensão de suas atividades.

De acordo com uma carta divulgada pelo presidente do museu, João Amaro, o "sonho foi interrompido, mas não acabou". Segundo Amaro, a direção já previa uma mudança estrutural, mas a crise financeira adiantou a suspensão. "Quis o destino que uma conjuntura de receita em queda e custos em alta em todo o setor aéreo precipitasse a suspensão das atividades do museu e a discussão estratégica sobre sua modernização e sua mudança de local", disse Amaro.

Desde o ano passado, a direção já discutia a transferência de São Carlos para a região metropolitana de São Paulo. Em 2014, Amaro  havia dito que o espaço, com 96 aeronaves, quase não comportava novos modelos, por isso, davam preferência para receber aviões com importância histórica e que ainda tivessem condições de voo. Por ser localizado no interior, também atraia menos visitantes que o esperado - cerca de 100 mil pessoas por ano. 

Segundo a carta de Amaro, o museu também deve ter seu nome alterado e não levará mais o nome da companhia aérea. "Agora, faremos com que ele renasça unicamente como o museu Asas de um Sonho, contando com o apoio da TAM e o patrocínio de outras companhias do setor aéreo e empresas dos mais variados segmentos".

Ainda segundo Amaro, em um "ambiente de recessão" a Tam não conseguiu manter os patrocínios nos mesmos termos anteriores. "E nem poderia ser de outro modo, porque tirar dinheiro do seu caixa para subsidiar o museu seria mesmo uma afronta aos seus credores e/ou acionistas", disse na carta. 

Histórico. Inaugurado em novembro de 2006, o museu recebeu investimento inicial de R$ 30 milhões, sendo 40% de incentivos governamentais. Em 2008, o museu foi fechado para ampliação e reaberto dois anos depois. O acervo recebia doações de clientes e fornecedores e tinha entre os ítens mais valiosos um Spitfire, de 1942, da Rolls-Royce, que participou da Segunda Guerra.

Ainda segundo Amaro, a transferência do museu está prevista para acontecer em até cinco anos. "Nesse ínterim, o museu ficará fechado com suas aeronaves protegidas, e seus motores inibidos no mesmo local onde se encontram", disse.

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