Vítima de bala perdida estréia como modelo

A estudante Camila Magalhães Lima, de 15 anos, que ficou tetraplégica há três anos ao ser atingida no pescoço por uma bala perdida, estréia amanhã como modelo. Ela foi convidada para desfilar no aniversário de 10 anos do Gávea Trade Center, que vai doar a renda do estacionamento do shopping para A Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), responsável pela recuperação de Camila.Vaidosa desde a infância, época em que fazia cursos de ginástica olímpica e dança, Camila sempre sonhou em ser modelo. Ela chegou a tomar remédios para acelerar o crescimento, porque se considerava "baixinha" para a profissão. Hoje ela mede 1,65 metro, com 50 quilos bem distribuídos. Mas o desejo de desfilar ficou em segundo plano quando foi atingida por um tiro na sétima vértebra cervical, e perdeu completamente os movimentos.Ela passava pela Avenida 28 de Setembro, em Vila Isabel, na zona norte, no momento em que seguranças de uma joalheria trocavam tiros com assaltantes. A menina achou que os disparos fossem bombinhas de festa junina. De repente, sentiu o baque no pescoço. A imagem de Camila caída na calçada, com o pescoço ensangüentado, foi vista em todo o País.Camila conseguiu recuperar o movimento das mãos e braços com a fisioterapia na ABBR. Ali, recebeu apoio da técnica de ginástica olímpica do Flamengo, Georgette Vidor, que ficou paraplégica após um acidente de ônibus. Camila também se submete a um tratamento periódico na Alemanha para ativar a passagem do líquor (líquido interno) na medula. O processo amplia a sensibilidade nas pernas. A terapia, que não existe no Brasil, só foi possível graças a um movimento, pela Internet, para arrecadar doações. Matéria publicada pelo Estado sobre a campanha levou a Malharia Malwee, de Santa Catarina, a doar R$ 5 mil. "Foi isso o que permitiu a nossa ida à Alemanha. Somos muito gratos a eles e a todos os que nos ajudaram", diz Ana Lúcia Lima, mãe de Camila, que voltou a ativar a rede de donativos. Camila precisa viajar à Alemanha para a terceira bateria do tratamento. "Eu melhorei bastante, aprendi a dominar mais os movimentos", conta Camila. Foi na Alemanha que ela deu os primeiros passos, com a ajuda de aparelhos e muletas, ao lado do fisioterapeuta Lothar Teuber, que desenvolveu o tratamento.Envolvida com a campanha de arrecadação para a nova viagem, Camila foi surpreendida pelo telefonema da tesoureira do Gávea Trade Center, Maria Elisa Lopes, convidando-a para abrir e encerrar o desfile dos 10 anos de aniversário do shopping. Maria Elisa havia acompanhado o tratamento de Camila pela Internet (www.camila.lima.nom.br) e sabia do sonho da menina de ser modelo. "Pensei: isso está acontecendo mesmo comigo?", contou Camila. "Participar desse desfile é uma forma de retribuir à ABBR o que eles fizeram por mim, e mostrar às pessoas em situação como a minha que elas não podem desistir". Camila está em forma. Ela não toma refrigerantes desde o acidente, e reduziu o consumo de doces. "Só não resisto a chocolates", admite. No mundo da moda, a aspirante a modelo admira Gisele Bündchen. "Ela é bonita, e não parece metida. Parece uma pessoa comum", diz.A família de Camila mantém duas contas bancárias para quem quiser contribuir com o tratamento da estudante: Bradesco (agência 2796-0, conta 3783-4) e Caixa Econômica Federal (agência 0545-013, conta 90.000-7).

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