Vítima de estupro acusa porteiro

Preso pelo assassinato da arquiteta Jamile, Santos foi reconhecido por mulher atacada em Pinheiros, zona oeste

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Mais um crime para a ficha do porteiro Jadson José dos Santos, de 32 anos, que confessou na quarta-feira a autoria do assassinato da arquiteta Jamile de Castro Nascimento, de 32 anos. Em janeiro, ele teria seqüestrado, roubado e estuprado uma universitária, de 24 anos, que compareceu ontem à Delegacia de Anti-Seqüestro (DAS). A vítima reconheceu a foto do porteiro divulgada pela imprensa e resolveu dar seu depoimento ontem ."Santos que já estava sendo acusado por assassinato, ocultação de cadáver e seqüestro relâmpago, agora vai responder por estupro", disse o delegado Eduardo Camargo Lima, da DAS. "Surpreendeu o fato de ele ter cometido violência sexual. Ele será ouvido novamente."Com o depoimento da universitária, a polícia começa a trabalhar com a hipótese de o porteiro ter um comparsa. A vítima disse que foi estuprada por dois homens em janeiro deste ano. Um deles era Santos. Segundo seu depoimento, os dois estavam armados quando foi atacada no semáforo do cruzamento das Avenidas Rebouças e Henrique Schaumann, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Eles entraram no carro e levaram a universitária para um caixa eletrônico, mas não conseguiram sacar o dinheiro. Contentaram-se com os R$ 50 que estavam em sua bolsa. A universitária afirmou à polícia que foi violentada dentro do carro, ameaçada de morte e liberada na Mooca, zona leste. Das cinco vítimas que a polícia tem notícia, ainda falta o depoimento de uma. "Não acredito que ele seja um psicopata. Só exames podem dizer, mas acho que Santos é um assassino frio", disse Lima. Tanto no trabalho como no bairro onde morava era conhecido por ser um homem responsável. No edifício de classe média Ilha das Palmas, local do assassinato de Jamile, Santos cobriu férias de um funcionário e seu desempenho fez com que os moradores pedissem que fosse contratado. "Agora eles estão apavorados. As crianças costumavam entrar na guarita do porteiro para beber água", disse Lima. O espanto não é menor no bairro onde morava, a Vila Nhocuné, zona leste. Os vizinhos dizem que ele saía cedo para trabalhar e voltava só à noite. Não era de freqüentar bares, nem de jogar conversa fora. Santos morava na casa da noiva, Talita Rezende, de 24 anos, recepcionista da mesma empresa em que ele trabalhou de vigia. Os dois se conheceram na firma. Depois de poucos meses de namoro, ele se mudou para o quarto do cortiço, que Talita dividia com a mãe. Paraibano, Santos está em São Paulo há 14 anos e nunca havia sido preso pela polícia, ao menos no Estado de São Paulo. Ontem, durante o enterro da arquiteta Jamile, o pai da vítima, João Carlos Nascimento fez um apelo: "Alguma coisa tem de acontecer porque a dor é muito grande." COLABOROU JOSMAR JOZINO e FELIPE GRANDIN

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