Vítima de falso seqüestro vai de carro até RJ de madrugada

O crime cada vez mais comum de extorsão por telefone com a simulação de um falso seqüestro levou uma americana que vive em São Paulo a dirigir até o Rio, na madrugada de sábado, pensando que seu filho estava nas mãos de criminosos. A professora Vicki Mastrandrea Justi, de 59 anos, foi acordada por bandidos no início da madrugada que diziam ter seqüestrado seu filho, de 30 anos. Vicki, que mora em Indianápolis, na zona sul de São Paulo, dirigiu até o Rio sem desligar o celular. Segundo reportagem do Estado de sexta-feira, São Paulo teve 3 mil casos do golpe nos últimos 45 dias. Os bandidos exigiam que Vicki viajasse até o Rio para entregar dinheiro e celulares em troca da libertação do rapaz. A americana acreditou no trote e pegou a estrada por volta de 1h30. Ela chegou ao Rio pela manhã, quando foi interceptada por policiais cariocas. Só então foi convencida de que se tratava apenas de mais um caso do golpe do falso seqüestro. Viagem Segundo a polícia do Rio, ela foi orientada pelos bandidos durante toda a viagem. A vítima chegou a parar num hotel da Rodovia Presidente Dutra, que liga as duas capitais, para carregar o telefone e continuar falando com os criminosos. A professora levava, sob orientação dos bandidos, dinheiro e jóias para o pagamento do suposto resgate. Um dos pedidos dos criminosos era que ela levasse até um ponto de encontro sete aparelhos de telefone celular habilitados. Seguindo orientação dos bandidos, Vicki foi a uma loja do Madureira Shopping, na zona norte do Rio, para comprar os aparelhos. Como estava muito nervosa, ainda na linha com os supostos seqüestradores, os vendedores da loja ficaram desconfiados de que a compra estava ligada ao golpe e acionaram a Polícia Militar. Policiais do 9º BPM que estavam de plantão numa cabine da Estrada do Portela, próximo ao shopping, seguiram Vicki quando ela, sob a orientação dos bandidos, se dirigia para a Estrada do Sapê, em Turiaçu. Eles a interceptaram e só conseguiram convencê-la de que se tratava de um trote quando conseguiram localizar o filho dela por telefone; ele estava em São Paulo. Vicki não soube dizer para quem teria que entregar os celulares, o dinheiro e as jóias exigidas. Ela também não sabia dizer qual era o seu destino final, já que só recebia instruções sobre as ruas onde deveria entrar. Identificação Os policiais militares chegaram a falar com os bandidos no telefone e eles teriam se identificado como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, essa informação não foi confirmada pela Polícia Civil, que investigará o caso. A professora americana foi levada pelos policiais à ao 29º Distrito Policial, em Madureira, onde registrou o caso. Vicki prestou depoimento rapidamente e deixou a delegacia sem dar entrevistas. Segundo os policiais, ela estava muito nervosa, chorando e cansada da viagem.

Agencia Estado,

24 Fevereiro 2007 | 19h09

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