AFP PHOTO / Ulisses Goncalves de Sousa
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Vítima de naufrágio no Pará, costureira levava filha para tratamento médico

Corpo da costureira e servente Aurilene Sampaio foi localizado, mas filha segue desaparecida; mãe pretendia pegar a balsa, mas barco passou antes

Claudia Müller, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2017 | 14h28

Uma das 21 vítimas do naufrágio do barco Capitão Ribeiro, no Pará, Aurilene Sampaio, de 36 anos, era viajante frequente nos barcos e nas balsas que percorrem o Rio Xingu, indo para Belém ou Altamira. O acidente ocorreu na madrugada desta quarta-feira, 23, entre os municípios de Porto de Moz e Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará. A embarcação não estava legalizada para fazer o transporte passageiros.

Desta vez, Aurilene viajava com a filha de seis anos em um percurso de aproximadamente seis horas. O corpo de Aurilene já foi encontrado, mas filha segue desaparecida. O governo do Pará confirmou 21 mortos no acidente. Pelo menos 23 pessoas sobreviveram. 

A viagem costumeira era para que a filha pudesse fazer tratamento de saúde em Altamira. Depois de muitos desmaios, a menina seria levada ao médico na cidade. Aurilene, que trabalhava como costureira e servente em uma escola, pretendia pegar a balsa, mas o barco passou antes.

"O rio estava muito ruim ontem (nesta quarta-feira, 23). Era uma tempestade que nunca tinha visto", diz a amiga e dona de loja de roupas Francinalva Mendes Leão, de 20 anos. "Nós que estávamos em casa vimos como estava forte. Imagina para quem estava no meio do rio tentando se salvar".

Segundo Francinalva, o barco nem sempre é seguro e alguns são muito velhos. Além disso, os passageiros precisam dividir espaço com carga, muitas vezes de peixe, que será deixada nas cidades seguintes. Já a balsa é maior e não leva carga, o que a faz aguentar mais peso. "O barco é mais perigoso quando chove", afirma a amiga. "Pelo horário do acidente, acredito que elas já estivessem na rede dormindo".

Um amigo de Francinalva sobreviveu após quatro horas nadando, e agora está bem. "O problema é que, como estava escuro, as pessoas nadaram para o lado mais distante da costa. Elas não conseguiram ver de onde o barco estava mais próximo", conta. 

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