Vítima de tubarão se recupera

Tem quadro estável o estudante Mário César Carneiro da Silva, de 22 anos, que, nesta terça-feira, foi atacado por um tubarão e perdeu a mão e parte do antebraço direito quando surfava na praia de Piedade, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes. Ele está internado na Unidade de Traumatologia do Hospital da Restauração ainda sem previsão de alta.Mário sabia do perigo que corria ao surfar numa área vulnerável ao ataque de tubarões. Piedade está enquadrada na faixa litorânea de 68 quilômetros onde, desde maio de 1999, a prática de esportes aquáticos é proibida por decreto do governo estadual.Ele já havia tido sua prancha apreendida pelo Corpo de Bombeiros por desobediência à determinação, dentro de um total de 276 pranchas recolhidas desde então. "O rapaz é maior de idade e reincidente, ele já havia assinado termo de responsabilidade ao retirar a prancha apreendida", afirmou nesta quarta o assessor de imprensa do Corpo de Bombeiros, capitão Valdir Oliveira.A mãe do estudante, Valdomira Carneiro da Silva, confirmou que o filho teimava em surfar apesar de saber do perigo e dos apelos da família. Ela disse que se sentiu aliviada com a apreensão, mas, depois de um período de trégua, o jovem voltou ao esporte. "Ele dizia que o surfe era a vida dele", disse ela, afirmando que não tinha como controlar o filho, que começou a surfar aos 13 anos.O capitão Oliveira negou ter havido relaxamento na fiscalização da orla. Ele explicou que 200 homens trabalham na terra e na água, não sendo possível um controle total de todos os trechos. Desde 1992, 34 surfistas e banhistas foram atacados por tubarão das espécies tigre ou cabeça-chata, de acordo com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).O Corpo de Bombeiros tem outro critério de levantamento e registra 42 ataques nesse período. Do total de pessoas atacadas, 11 morreram. Um dos casos mais chocantes ocorreu em maio de 1999, quando o surfista Charles Barbosa perdeu as duas mãos.Um estudo realizado em 1995 por uma equipe da UFRPE apontou a construção do Porto de Suape, no município metropolitano do Cabo de Santo Agostinho, como uma das principais causas dos ataques do animal. A degradação ambiental teria reduzido a oferta de alimento para tubarões e peixes, que passaram a seguir as embarcações atraídas pelo lixo jogado ao mar.Um canal - uma depressão de cerca de 10 metros de profundidade paralela à praia no litoral sul - também facilita, segundo o estudo, a permanência dos tubarões na proximidade da costa. O surfe é proibido entre os municípios de Paulista e Cabo de Santo Agostinho, e os banhistas são orientados a não ir além do ponto onde tomam pé. Na orla da área metropolitana, caracterizada pela presença de arrecifes, é recomendado não ultrapassá-los.

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