Vítima já tinha registrado queixa contra goleiro do Flamengo

Eliza Samudio já teria recebido ameaças de Bruno e amigos para fazer aborto

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

27 de junho de 2010 | 19h39

RIO - A estudante Eliza Samudio, de 25 anos, já havia registrado o goleiro Bruno Fernandes por ameaças, no dia 14 de outubro de 2009. O caso chegou a ser encaminhado para a 1ª Vara de Família da Justiça do Rio, mas não teve prosseguimento porque Eliza não compareceu às audiências.

 

Dois meses antes, ela havia procurado a imprensa para informar que estava grávida de três meses do atleta. Em depoimento na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, zona oeste do Rio, Eliza disse em outubro que Bruno havia a procurado na véspera, por volta das 2h, para conversar. Ela aceitou entrar no carro do goleiro, que estava acompanhado de três amigos de Contagem.

 

Dois deles foram identificados pela estudante pelos seus apelidos: Macarrão e Russo, que estaria armado. Depois de uma conversa, Bruno teria insultado e estapeado Eliza. Ele e os amigos exigiam que a vítima fizesse o aborto. Segundo ela, o goleiro pegou a arma do amigo e apontou a pistola contra a cabeça dela.

 

Eliza disse que foi drogada pelo atleta. Um laudo do Instituto Médico Legal apontou que o corpo da grávida tinha "vestígios de agressão". No entanto, o processo não andou na 1ª Vara de Família da Justiça do Rio, pois ela não compareceu às audiências. Alegando temer represálias de Bruno, a estudante foi morar com amigas em Curitiba.

 

Após a temporada curitibana, Eliza foi morar com uma amiga na capital paulista e deu à luz em uma maternidade pública da cidade. No começo deste mês, ela se mudou para Belo Horizonte e dias antes de desaparecer procurou jornalistas cariocas. A estudante contou que Bruno faria o exame de paternidade e reconheceria legalmente o filho.

 

No domingo, 27, o advogado Michel Assef Filho negou qualquer ligação de Bruno com o desaparecimento de Eliza, mas disse que o goleiro está à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos - até o início da noite de ontem, o jogador não havia sido intimado formalmente pela polícia. O escritório de advocacia enviou um representante no sábado à Contagem para se informar sobre as acusações contra o atleta.

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