Vítimas da violência no Rio exigem igualdade de tratamento

Filha de uma vítima da violência, Rosângela de Jesus Cavalcanti de Araújo, de 45 anos, quer do Estado o mesmo tratamento recebido pela família da estudante de Enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, baleada na Universidade Estácio de Sá.Enquanto o tratamento de Luciana está sendo custeado pelo governo estadual e parentes da menina receberam a visita da governadora Rosinha Garotinho, Rosângela diz nunca ter sido procurada pelas autoridades. Ela enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Aury Maria do Canto, de 70 anos, mãe de Rosângela, estava em um dos 26 ônibus incendiados por criminosos em 24 de fevereiro deste ano. Três dias depois, com partes do corpo queimadas, Aury morreu no hospital municipal Souza Aguiar, 29 horas após uma cirurgia. ?O que a governadora fez (por Luciana), deveria fazer para todos. Não sei se é porque agora o marido dela é secretário de Segurança. Aos meus ouvidos está soando como uma coisa política. Estou enojada?, afirma Rosângela.Ela está sendo representada por um defensor público e pretende entrar na Justiça contra o Estado ao lado de outras cinco pessoas feridas no mesmo ônibus em que estava sua mãe. A empresa proprietária do ônibus, a Transurb, já é alvo de um processo movido por Rosângela, que aguarda o parecer de um médico de confiança da família para processar também os médicos que atenderam Aury.Rosângela afirma que havia autorização para que sua mãe fosse transferida para um hospital particular, com mais recursos. Para isso, seria necessário dispor de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) móvel. Mas ela não tinha dinheiro. ?Ela poderia ter ido também para o Hospital da Aeronáutica (unidade de referência para queimados), se houvesse um pedido do governo. Acho que minha mãe merecia pelo menos uma prece da governadora.?No dia em que morreu, Aury estava levando salgadinhos feitos pela filha para serem vendidos no Colégio Pedro II, no Humaitá (zona sul). Juntas, segundo Rosângela, elas tinham rendimento bruto mensal de R$ 3 mil. Hoje, sem dinheiro para investir em seu pequeno negócio, ela vive de empréstimos e está prestes a entregar a casa em que mora, no Rio Comprido (zona norte), pois não paga o aluguel há três meses. Os filhos estão morando com parentes.Até o cachorro, um labrador, teve que ser doado. ?Isso tudo atrapalhou minha vida. Estou sem perspectiva nenhuma, sem trabalho, sem dinheiro, sem ter para onde ir. Escrevi até uma carta para o Gugu Liberato. Parece engraçado, mas não é. É desespero.? Ela disse que nesta sexta-feira não foi visitar os filhos por não ter dinheiro para pagar a passagem. ?Estou ilhada nesse inferno do Rio Comprido. Tenho um real na bolsa.?

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