Vítimas das violência fazem passeata na Baixada Fluminense

Parentes e amigos percorrem as ruas onde houve uma chacina, em 2005, que deixou cerca de 30 mortos

Agência Brasil,

31 de março de 2009 | 14h40

No dia em que a Chacina da Baixada Fluminense completa quatro anos, cerca de 150 pessoas, entre parentes e amigos de vítimas da violência no Rio, participaram de mais uma caminhada, desta vez em Nova Iguaçu, e de uma missa pública para lembrar o episódio. No último sábado, os manifestantes já haviam realizado um protesto pacífico no município vizinho de Queimados.

 

Durante a chacina, que aconteceu em março de 2005 nas ruas dos dois municípios, um grupo de policiais matou 29 pessoas e deixou uma ferida. Entre os mortos, havia crianças, estudantes, comerciantes, desempregados e funcionários públicos.

 

Um dos participantes da manifestação desta terça, Tião Santos, representante da organização não-governamental Viva Rio, disse que, embora a adesão tenha sido pequena e o protesto não tenha contado com a presença de políticos, é preciso continuar cobrando do Poder Público medidas efetivas de combate à criminalidade. "Logo que aconteceu a tragédia, as manifestações eram concorridas, chegaram a reunir milhares de pessoas e muitos políticos faziam questão de participar. Hoje, pouca mais de uma centena de pessoas ainda participa", disse.

 

"Mas o importante é que nosso grito está aqui. Não podemos deixar que esse e outros casos de tamanha violência contra o cidadão sejam apagados da memória das autoridades públicas. Precisamos continuar cobrando delas medidas que resolvam esse problema que é de todos nós", completou.

 

A coordenadora do Núcleo de Familiares e Amigos de Vítimas da Violência na Baixada, Luciene Silva, mãe de Rafael Silva Couto, uma das vítimas da chacina, também defende a mobilização popular para não deixar cair no esquecimento cada caso de violência praticada por representantes do Poder Público. De acordo com ela, as comunidades carentes do Estado são frequentemente abordadas por policiais com atos truculentos e a população precisa reagir.

 

Até agora, dos policiais suspeitos de participação no crime, quatro foram presos por envolvimento nos assassinatos; um foi absolvido das mortes, mas condenado por formação de quadrilha, e já foi solto; e ainda outro aguarda em liberdade o julgamento, também por formação de quadrilha.

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